O avanço das ferramentas de inteligência artificial está encurtando o prazo de validade das defesas cibernéticas no mercado cripto. Especialistas alertam que os protocolos precisam atualizar com frequência a auditoria de smart contracts, já que cibercriminosos usam sistemas automatizados para encontrar falhas antigas de forma rápida.
De acordo com dados da CertiK, invasores roubaram US$ 1,32 bilhão no primeiro semestre de 2026. O relatório aponta que uma das táticas mais comuns tem sido revisitar códigos de projetos antigos, impulsionados por ferramentas automatizadas que identificam vulnerabilidades ocultas em larga escala.
Ari Redbord, chefe de política da TRM Labs, destacou a urgência de uma mudança de postura no setor sobre auditoria de smart contracts. Segundo ele, “Our data argues for continuous review rather than a one-time audit,” reforçando que “An audit built for last year’s attack patterns leaves a protocol exposed to this year’s as bad actors are changing up.”
O perigo para projetos inativos e o papel da auditoria de smart contracts
Recentemente, um caso real envolveu a blockchain de privacidade Zcash. Taylor Hornby, engenheiro de segurança da Shielded Labs, descobriu uma falha crítica de quatro anos usando um agente de IA customizado com o Claude Opus 4.8 da Anthropic. O problema no pool Orchard poderia permitir falsificação indetectável de moedas, mas já foi corrigido.
O risco não poupa nem mesmo as plataformas desativadas que ainda guardam fundos. A segurança exige que a auditoria de smart contracts seja rotineira, pois em 14 de junho o projeto descontinuado Aztec Connect perdeu US$ 2,1 milhões. Dias depois, a exchange descentralizada mySwap sofreu um prejuízo de US$ 300 mil, mesmo sem receber depósitos há mais de seis meses.
Por outro lado, a tecnologia também atua na defesa e otimiza a auditoria de smart contracts preventivamente. Em dezembro, um estudo da Anthropic mostrou que agentes de IA detectaram US$ 4,6 milhões em brechas exploráveis. Atualmente, o setor de finanças descentralizadas (DeFi) reúne mais de US$ 72,3 bilhões em valor total bloqueado.
Em meio aos ataques, uma recuperação histórica ocorreu em maio. O hacker “0xflorent” resgatou 1.003 Ether (cerca de US$ 1,72 milhão) de 48 investidores do ICO da Hong Coin (HONG), que falhou em 2016. Os fundos estavam presos há uma década devido a um erro na função de reembolso automático.
Para a TRM Labs, contudo, blindar o código é apenas parte da solução. Redbord afirma que autoridades e a indústria devem combater ataques estatais da Coreia do Norte e redes chinesas de lavagem de dinheiro: “Protocols can lock their doors, but someone still has to go after the actor breaking in.”



