
A Binance anunciou a separação de US$ 6,34 bilhões de seus próprios recursos corporativos para ressarcir os prejuízos decorrentes do maior roubo de criptomoedas da história. A invasão ocorreu em suas carteiras quentes e afetou múltiplos ecossistemas blockchain em um intervalo de apenas 20 minutos.
Para garantir a paridade das carteiras afetadas, a empresa informou que já possui US$ 5 bilhões guardados exatamente nos mesmos tokens que foram drenados. A quantia restante está sendo adquirida no mercado aberto e por meio de negociações diretas (OTC), assegurando que o saldo dos clientes seja restaurado na proporção de um para um.
Até o momento, parceiros do setor conseguiram congelar aproximadamente US$ 3 bilhões em criptoativos roubados. Esse valor congelado não faz parte dos US$ 6,34 bilhões reservados pela própria exchange. A plataforma também pretende recorrer ao SAFU, seu fundo de emergência mantido historicamente com cerca de US$ 1 bilhão em bitcoin para situações críticas.
O ataque foi viabilizado após o comprometimento do notebook de um engenheiro de DevOps, permitindo a emissão de ordens internas de saque falsas. Embora vetores adicionais de invasão tenham sido identificados durante a apuração interna, a Binance afirma não haver indícios de que chaves privadas das carteiras tenham sido expostas.
A autoria da ação foi atribuída por empresas de monitoramento em blockchain ao grupo de hackers da Coreia do Norte. O padrão identificado envolve movimentações automatizadas de alto volume, trocas rápidas entre múltiplos endereços e o envio repetido de frações exatas de 1 TRX antes da transferência dos montantes maiores.
Repercussão e segurança após o hack na Binance
Especialistas do setor definem o método empregado pelos cibercriminosos como uma modalidade avançada de lavagem de recursos programada. Enquanto as investigações prosseguem ao lado de autoridades e parceiros de segurança, a corretora mantém os depósitos operacionais, mas suspendeu os saques temporariamente para a finalização das auditorias nos sistemas.
A incerteza no mercado afetou pontualmente tokens com menor liquidez, como o ativo FUN, que registrou queda de 90%. No total, o ano de 2026 já acumula 322 incidentes de segurança registrados em plataformas de finanças descentralizadas, somando perdas superiores a US$ 8,7 bilhões.
Diante do cenário, lideranças da indústria defenderam a criação de padrões rigorosos de proteção no nível criptográfico de assinatura.
A proposta sugere a exigência de checagens adicionais e atrasos programados para retiradas direcionadas a endereços desconhecidos ou aprovações de contratos inteligentes, mantendo liquidação imediata apenas para movimentações entre corretoras previamente validadas.









