O mercado de criptomoedas enfrenta uma forte correção em junho de 2026, com o Ethereum caindo mais que o Bitcoin de forma acentuada. Enquanto o Bitcoin conseguiu se segurar acima dos US$ 62.000, o Ether despencou cerca de 7,5% em apenas 24 horas, quebrando o suporte de US$ 1.800.
A diferença fica ainda mais evidente no acumulado do ano. Em 2026, o Ethereum acumula uma desvalorização próxima de 32%, em comparação com a queda de apenas 11% do Bitcoin. Além disso, a segunda maior criptomoeda do mundo já recuou entre 55% e 60% desde a sua máxima histórica de US$ 4.953, atingida em agosto de 2025.
Especialistas apontam que essa divergência ocorre por dois motivos principais, que justificam o Ethereum caindo mais que o Bitcoin: o fator mecânico e o estrutural. O primeiro se deve ao “beta elevado” do Ether. No jargão financeiro, isso significa que ele oscila com mais intensidade. Quando o mercado sobe, ele lidera os ganhos; quando cai, ele lidera as perdas por estar um degrau abaixo do Bitcoin na escala de risco institucional.
O segundo fator está no gráfico da razão ETH/BTC, que mede o valor do Ether diretamente em relação ao Bitcoin. Essa métrica despencou para a mínima de 10 meses, operando na faixa de 0,0283 — uma queda de mais de 35% desde o pico de agosto de 2025, ficando abaixo da média móvel de 200 semanas.
O impacto dos fluxos dos ETFs e as razões por trás do Ethereum caindo mais que o Bitcoin
Essa fraqueza estrutural se agravou devido à assimetria dos ETFs nos Estados Unidos. Os fundos de Bitcoin, lançados em janeiro de 2024, criaram um fluxo bilionário constante. Já os ETFs de Ethereum, que chegaram depois, atraíram muito menos capital. Atualmente, o ecossistema de ETFs de ETH gerencia cerca de US$ 12 bilhões, enquanto o de Bitcoin supera os US$ 90 bilhões.
Em uma sessão recente no início de junho, os ETFs de criptomoedas registraram saídas conjuntas de US$ 609 milhões. Desse total, os produtos de Bitcoin perderam US$ 519 milhões e os de Ethereum perderam US$ 90 milhões. Embora o valor nominal do Bitcoin seja maior, a perda proporcional do Ethereum é muito mais prejudicial para a sua base de compradores mais enxuta, tendo o fundo ETHA da BlackRock como a principal origem dos resgates.
Somam-se a isso pressões específicas de curto prazo, como o movimento de baleias transferindo fundos para corretoras, o aumento de posições vendidas (shorts) alavancadas e a forte concorrência de redes rivais como a Solana, que drena atenção e liquidez do ecossistema principal.
Por outro lado, investidores de longo prazo enxergam uma tese de recuperação consistente. Empresas como a BitMine já acumularam cerca de 5,39 milhões de ETH (4,47% do suprimento total) para sua plataforma de staking institucional. O presidente da companhia defende que o avanço de DeFi e Inteligência Artificial pode levar a rede a valer trilhões de dólares, classificando o preço atual como uma “opcionalidade futura com desconto”.
Além disso, a atualização tecnológica Glamsterdam, programada para 2026, promete aumentar o limite de gás da rede em até 3,3 vezes, expandindo a capacidade de processamento junto com o crescimento contínuo das redes de segunda camada (Layer-2).
Para identificar o fim definitivo do cenário do Ethereum caindo mais que o Bitcoin, analistas recomendam observar três sinais práticos: a recuperação sustentada da razão ETH/BTC acima de suas médias, o retorno de fluxos de entrada consistentes nos ETFs de Ether e a continuidade do ritmo de acumulação corporativa.
Dentro do roadmap do Ethereum: as mudanças que ainda estão por vir





