Criptomoedas podem entrar no financiamento imobiliário? Mercado vê avanço em empréstimos com Bitcoin e Stablecoins

Criptomoedas podem entrar no financiamento imobiliário? Mercado vê avanço em empréstimos com Bitcoin e Stablecoins

Imagem de perfil de Redação

por Redação

As criptomoedas já avançaram nos pagamentos digitais, principalmente com o crescimento das stablecoins. Agora, o mercado começa a discutir um próximo passo mais ambicioso: usar ativos digitais como garantia para empréstimos, crédito empresarial e até financiamentos imobiliários.

A ideia é que em vez de vender Bitcoin ou outras criptomoedas para conseguir dinheiro, investidores poderiam usar esses ativos como garantia para acessar crédito. Isso permitiria obter liquidez sem abrir mão da exposição ao mercado cripto.

Segundo Fernando Aranda, diretor de marketing da Zoomex, o maior potencial do setor não está mais nos pagamentos. “Payments are already solved. Stablecoins proved that. But the real upside is in lending”, afirmou.

As stablecoins já resolveram parte do problema das transferências internacionais, permitindo movimentação de dólares digitais com menos fricção que muitos sistemas bancários tradicionais. O desafio agora é transformar criptomoedas em garantias aceitas pelo sistema financeiro.

Esse movimento pode beneficiar investidores com grandes posições em ativos digitais, empresas do setor, mineradores e usuários que têm patrimônio em cripto, mas pouco acesso ao crédito tradicional. Ao mesmo tempo, levar esse modelo para produtos financeiros de longo prazo, como financiamentos imobiliários, ainda exige mudanças importantes na infraestrutura do mercado.

O mercado bilionário por trás dos Contratos Futuros de Criptomoedas

Mercado financeiro ainda vê riscos em crédito com criptomoedas

Para bancos e instituições financeiras, aceitar criptomoedas como garantia envolve muito mais do que demanda dos clientes.

Fernando Aranda afirma que três fatores ainda precisam evoluir: estabilidade de preços, clareza regulatória e sistemas confiáveis de custódia. “Banks don’t reject crypto. They reject volatility and legal uncertainty. Once those are managed, crypto becomes just another form of collateral, not a special case”, disse.

O principal problema continua sendo a volatilidade: um investidor pode ter US$ 500 mil em Bitcoin durante um ciclo de alta, mas esse valor pode cair rapidamente em períodos de forte correção.

Kevin Lee, Chief Business Officer da Gate, acredita que esse é o maior obstáculo para integrar cripto a produtos financeiros tradicionais. “The biggest risk is that crypto introduces high volatility into financial products that rely on stability”, explicou.

Segundo ele, isso dificulta definir níveis seguros de margem, liquidação e desconto sobre garantias usadas em empréstimos.

Além da volatilidade, especialistas também alertam para riscos de liquidez e excesso de alavancagem. Em momentos de estresse no mercado, ativos podem perder liquidez rapidamente, ampliando riscos de liquidações em cadeia.

Fernando Aranda fez outro alerta sobre o desenho desses produtos financeiros. “The real risks are liquidity shocks, hidden leverage, and over-reliance on opaque intermediaries”, afirmou.

Mesmo assim, o mercado acredita que produtos menores devem abrir caminho antes dos financiamentos imobiliários, e entre as possibilidades estão empréstimos pessoais garantidos por cripto, linhas de crédito empresariais e soluções ligadas a stablecoins.

Em países emergentes, o modelo também pode ampliar o acesso ao crédito para usuários que possuem ativos digitais, mas não conseguem aprovação em sistemas bancários tradicionais. A expectativa do setor é que o avanço da regulamentação e da infraestrutura financeira determine a velocidade dessa integração entre criptomoedas e crédito tradicional.

Empréstimo cripto com garantia: o risco oculto do colateral