A Europa desenhou as regras, mas foi uma empresa dos Estados Unidos que sentou no trono. A Circle, emissora da famosa USDC, consolidou sua stablecoin de euro, a EURC, como a força dominante no ecossistema digital europeu, superando os players locais em seu próprio quintal.
Essa liderança levanta questões espinhosas sobre a soberania financeira do Velho Continente. Enquanto o regulamento MiCA (Markets in Crypto-Assets) começa a ditar quem pode ou não operar no mercado digital europeu, a gigante de Boston se posicionou como a primeira grande emissora totalmente em conformidade com as novas leis.
A stablecoin de euro da Circle é 100% lastreada por reservas em instituições da Zona Econômica Europeia. Com atestados mensais de transparência, ela se tornou a escolha preferida de investidores que buscam segurança institucional e fluidez entre as fronteiras do dólar e do euro.
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A reação dos bancos europeus e o avanço da MiCA
A concorrência não está parada, mas corre atrás do prejuízo. A HEURO, uma nova entrante europeia, afirmou ter ultrapassado os 600 milhões de euros em circulação recentemente. Além dela, o Société Générale-FORGE, braço digital do gigante banco francês, também lançou sua própria stablecoin de euro, a EURCV.
O cenário mudou drasticamente com a MiCA, antes, o mercado de stablecoin de euro era um “velho oeste” regulatório, o que afastava grandes fundos e instituições. Agora, com regras claras sobre resgates e reservas, o capital institucional finalmente tem o sinal verde para entrar com força total.
A Circle se preparou para esse momento durante anos, navegando pelas complexas leis americanas para chegar pronta na Europa. Para o mercado, o sucesso da EURC é vital: ela permite que usuários utilizem o DeFi (finanças descentralizadas) sem ficarem presos ao dólar, evitando custos altos de conversão e riscos cambiais desnecessários.
O grande desafio será observar se os bancos europeus conseguirão usar suas imensas redes de clientes para retomar o controle de sua própria moeda digital ou se a soberania da stablecoin de euro continuará em mãos americanas.
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