O Banco da Coreia anunciou a expansão do seu projeto piloto de moeda digital. A nova etapa da CBDC, conhecida como Projeto Hangang, começa em setembro com limite de 500 mil usuários e, pela primeira vez, utilizará recursos governamentais reais para testes de pagamentos.
A primeira fase do programa, realizada entre abril e junho de 2025, movimentou 114.880 transações em 81 mil carteiras digitais divididas entre sete bancos. No entanto, apenas 42% dos participantes efetuaram compras, após as instituições investirem cerca de 30 a 35 bilhões de won na infraestrutura inicial.
Para aumentar o engajamento do público, a segunda fase integrará funcionalidades semelhantes às do sistema bancário tradicional. O projeto passa a contar com pagamentos por impressão digital, transferências entre pessoas, recargas automáticas de saldo, pagamentos recorrentes, geração de recibos e rendimento de juros.
Os desafios e controvérsias da CBDC
A estrutura técnica da CBDC mantém um formato híbrido. O banco central emite uma versão no atacado voltada para a liquidação interbancária, enquanto os bancos comerciais criam tokens de depósito em blockchain para uso direto por consumidores e lojistas.
Sete bancos já participavam do projeto: KB Kookmin, Shinhan, Hana, Woori, Nonghyup, Industrial Bank of Korea e BNK Busan. Agora, Gyeongnam Bank e iM Bank também passam a integrar os testes, que não possuem data rígida para encerramento.
Um dos principais focos desta nova fase é a liberação de subsídios públicos programáveis. A tecnologia permite definir regras diretas de uso da CBDC, direcionando o dinheiro a estabelecimentos específicos, impondo prazos para expiração e reduzindo custos com taxas de cartão para pequenos comerciantes.
A iniciativa ganhou destaque na gestão de Shin Hyun-song, que assumiu o comando do Banco da Coreia em abril de 2026. Em paralelo, o Ministério da Economia e Finanças do país estuda atualizar uma legislação de 76 anos para classificar criptomoedas como ativos nacionais, enquanto o Hana Bank planeja uma stablecoin privada pareada ao won.
Apesar dos avanços operacionais, o uso de tokens programáveis desperta debates no setor financeiro. Críticos e organizações de direitos civis apontam que mecanismos de controle de gastos e registros centralizados em ledger podem abrir precedentes para vigilância financeira e congelamento de carteiras sem ordem judicial.
Enquanto a Ásia acelera os experimentos com ativos estatais, o cenário nos Estados Unidos segue a direção oposta. Em 11 de julho, entrou em vigor a legislação norte-americana que proíbe a emissão de moedas digitais de banco central pelo período de quatro anos.




