Uma guerra de interesses nos bastidores de Washington está definindo o futuro do mercado cripto. No centro do debate, grandes bancos americanos tentam a todo custo limitar o rendimento de stablecoins oferecido por empresas de criptomoedas, alegando riscos estruturais para a economia do país.
A disputa expõe uma realidade incômoda para o setor financeiro tradicional. Enquanto as contas poupança de gigantes como o JPMorgan Chase pagam juros minúsculos de 0,01% ao ano, perdendo feio para a inflação de 3,4%, corretoras de criptomoedas chegam a oferecer taxas de até 3,75% no rendimento de stablecoins.
Esse abismo de rentabilidade travou a tramitação da nova legislação do setor no Senado dos Estados Unidos. Os lobistas dos bancos pressionaram para incluir restrições rigorosas no projeto de lei conhecido como CLARITY Act, temendo que os investidores migrem em massa para o mercado cripto em busca de lucros reais.
Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, defende que a competição atual é desleal. Ele argumenta que os ativos digitais não enfrentam o mesmo rigor regulatório ou exigências contra lavagem de dinheiro. “Deve ser justo e igual, ponto final”, afirmou Dimon recentemente em entrevista. “Os bancos não vão aceitar dessa forma. Nós vamos lutar. Se perdermos, perdemos”.
Por que os bancos temem o rendimento de stablecoins?
O argumento central das instituições tradicionais é que, sem manter uma base forte de depósitos de baixo custo, ficará difícil e caro fornecer empréstimos imobiliários e comerciais para a população. No entanto, o mercado cripto rebate essa narrativa com os próprios números oficiais do setor bancário.
Apesar do crescimento acelerado dos ativos digitais, que ultrapassaram US$ 300 bilhões em valor de mercado, os depósitos bancários continuam subindo. No último trimestre relatado, os bancos americanos registraram um aumento de quase US$ 400 bilhões nessas reservas, totalizando US$ 21 trilhões.
Além disso, a lucratividade das instituições tradicionais segue intacta. O setor reportou um lucro recorde de US$ 80,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com uma taxa de retorno sobre ativos entre as mais altas dos últimos anos, o que enfraquece a tese de crise iminente.
Atualmente, o GENIUS Act, aprovado no ano passado, é a lei que rege os emissores de stablecoins nos EUA, exigindo que os ativos tenham 100% de reservas confiáveis. Contudo, os bancos consideram a lei branda em relação às corretoras que repassam recompensas aos clientes.
O desfecho dessa batalha acontecerá nas próximas semanas, antes das eleições de meio de mandato no país. Se a pressão bancária conseguir derrubar a nova legislação de clareza regulatória, o mercado cripto continuará operando sob as regras atuais, mantendo o rendimento de stablecoins como uma alternativa financeira altamente competitiva.



