O Banco do Brasil entrou como investidor em uma nota estruturada digital emitida pelo Citigroup. O negócio, de US$ 5 milhões, foi fechado direto na infraestrutura de registro distribuído da Euroclear, segundo informou o Valor Econômico.
O papel é do tipo que o mercado já chama de nota estruturada digital nativa. Ele está registrado na D-FMI, a Digital Financial Market Infrastructure da Euroclear, a aposta mais recente da câmara europeia em tecnologia de blockchain.
Na operação, o BB ficou do lado da compra. O Citigroup emitiu o título, enquanto a Euroclear atuou como depositária, responsável por registrar e liquidar o papel.
Nota estruturada não é novidade no mercado financeiro. É um instrumento cujo retorno varia de acordo com um ativo de referência. A mudança aqui está no trilho usado para emitir e liquidar o papel, não no produto em si.
A reportagem do Valor não detalha quanto o Banco do Brasil aportou nem qual ativo serve de referência para a nota.
Como funciona a D-FMI, a plataforma por trás da nota estruturada digital
A Euroclear descreve a D-FMI como a adição tecnológica mais recente do seu portfólio. O primeiro serviço disponível ali se chama Digital Securities Issuance e cobre emissão, distribuição e liquidação de títulos internacionais totalmente desmaterializados — as chamadas Digital Native Notes.
A liquidação contra pagamento acontece em euro ou em dólar. Os papéis ficam guardados em carteiras dentro do próprio componente digital da Euroclear.
Depois da emissão, a negociação no mercado secundário volta ao trilho conhecido: quem compra o título passa a mantê-lo e transferi-lo dentro do Euroclear Bank, na plataforma de liquidação tradicional. Movimento parecido já apareceu em outras praças, como quando o HSBC conectou a Bolsa de Londres a um título público digital.
O único comunicado do Citi sobre essa nota estruturada digital nativa na D-FMI é de 9 de março de 2026. Nele, o banco anunciou a emissão sob lei inglesa, com a Citigroup Global Markets Funding Luxembourg como emissora.
Nem esse texto nem a página da Euroclear informam o valor movimentado ou quem são os investidores. Nem o Citi, nem a Euroclear, nem o próprio Banco do Brasil confirmaram publicamente a participação do BB. Pelas informações disponíveis, não dá para saber se a emissão de US$ 5 milhões citada pelo Valor é essa mesma operação de março ou uma emissão posterior.
Russell Budnick, chefe de mercado de capitais da área de Investment Solutions do Citi Wealth, comentou o lançamento no comunicado de março. Segundo ele, a operação “demonstra como podemos entregar produtos estruturados tradicionais de forma mais eficiente ao usar tecnologia de registro distribuído, preservando o perfil completo de investimento que os clientes esperam”.


