Casos recentes de segurança com carteiras físicas reacenderam o debate no mercado: a autocustódia de criptomoedas realmente foi projetada para quem está começando? Complicadores técnicos e diferentes formatos de carteira dividem a opinião de grandes executivos do setor.

A facilidade de uso do ecossistema pode ser determinante para a adoção do Bitcoin, já que a proposta de ter controle total dos próprios ativos segue como pilar central da tecnologia. No entanto, falhas expostas em dispositivos da Ledger e da Coldcard revelaram fragilidades em ferramentas tidas como referências de proteção offline.

Para Michael Tanguma, CEO da Onramp, guardar os próprios ativos guarda semelhanças com os computadores pessoais da década de 1970, quando montar e operar uma máquina exigia alto conhecimento prévio. “A autocustódia de criptomoedas nunca foi projetada pensando nos novatos”, afirmou ao Cointelegraph.

Por outro lado, Rahul Rumalla, CEO da Safe Labs, discorda e defende que o conceito “sempre foi destinado a todos”, destacando que a ideia de gerenciar os próprios recursos não exige que o usuário faça cada processo sozinho sem ajuda técnica.

Os desafios das carteiras multisig e seedless na autocustódia de criptomoedas

Modelos de carteira multisig, que demandam várias chaves para aprovar movimentações, elevam a proteção, mas trazem complexidade. Justin Hutzler, CTO da Synergy Network, aponta que essa dinâmica exige coordenação entre signatários, cópias de segurança e etapas complexas de recuperação.

Além disso, a exigência de múltiplas assinaturas não impede fraudes. Se os participantes forem enganados por uma interface comprometida, a transação maliciosa pode ser aprovada do mesmo jeito, segundo Rumalla.

Outra alternativa são os modelos sem frase de recuperação (seedless), como o da Tangem, que trocam as palavras de backup por dispositivos físicos. Se o usuário perder todos os cartões vinculados, o acesso aos fundos é perdido para sempre, embora a empresa afirme nunca ter recebido relatos desse tipo de perda total.

Mesmo nesses formatos, o risco de engenharia social permanece. Zach Herbert, CEO da Foundation, alerta que a ausência de uma tela embutida nos cartões obriga a verificação via smartphone: “Um atacante não precisa extrair sua chave privada se puder enganá-lo para autorizar uma transação que esvazie sua carteira.”

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Luíza Nunes
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