O preço do Bitcoin enfrenta forte pressão de desvalorização e se aproxima rapidamente da marca de US$ 60 mil, impulsionado por saídas recordes de recursos dos ETFs spot no mercado americano.
Analistas apontam que a faixa dos US$ 60.000 é um suporte crucial. Jean-David Péquignot, diretor comercial da plataforma de derivativos Deribit, explica que o valor vai além do impacto psicológico, sendo uma barreira estrutural para grandes investidores.
Grande parte do capital institucional, incluindo compradores de ETFs e especuladores de curto prazo, adquiriu a moeda entre US$ 60 mil e US$ 67 mil no último ano. Com a cotação atual, esses investidores operam perto do preço de custo.
Os perigos do mercado de derivativos e o preço do Bitcoin
Se o preço do Bitcoin romper essa linha para baixo, os prejuízos latentes podem motivar vendas rápidas. Esse movimento é intensificado pelo custo de oportunidade, já que ações ligadas à inteligência artificial registram forte alta no mercado tradicional. Michael Saylor, presidente executivo da MicroStrategy, também atribui as perdas recentes a essa rotação de capital.
O cenário técnico se torna ainda mais mecânico no mercado de opções. Na Deribit, existem mais de US$ 1,2 bilhão em contratos de venda (puts) abertos no preço de strike de US$ 60 mil, adquiridos como proteção contra quedas prolongadas.
Para equilibrar suas posições à medida que o valor cai, os formadores de mercado (market makers) são forçados a vender o ativo no mercado à vista ou de futuros, empurrando o preço do Bitcoin ainda mais para baixo.
Além disso, o sistema ainda acumula posições compradas alavancadas. Uma queda acentuada pode deteriorar as garantias e disparar liquidações automáticas em cascata, somando-se aos bilhões de dólares em posições alavancadas que já foram encerradas de forma forçada recentemente.
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