Gigantes de Wall Street já dominam a tokenização para clientes institucionais, movimentando trilhões em plataformas blockchain. No entanto, o consumidor comum segue isolado dessa tecnologia.

O cenário começa a mudar com o Monument Bank, banco digital do Reino Unido que administra cerca de US$ 2,4 bilhões em ativos. A instituição prepara o lançamento de produtos financeiros baseados em blockchain focados exclusivamente no varejo.

“A maioria das moedas usadas para transferência de valores são projetos internos”, explica Mintoo Bhandari, fundador do Monument. Para o executivo, o modelo atual dos grandes bancos não entrega benefícios reais aos clientes comuns.

Um dos principais desafios do setor bancário é a infraestrutura. Enquanto as interfaces dos aplicativos são modernas, a base de processamento de muitas instituições tradicionais ainda depende de sistemas criados na década de 1970.

Como a tokenização chega ao investidor comum

Para resolver barreiras técnicas, o Monument fechou parceria com a Midnight, uma blockchain desenvolvida com foco total em privacidade. O objetivo é integrar a tokenização aos serviços do banco sem exigir que o cliente saiba usar criptomoedas.

A fase inicial do projeto abrange a conversão de até 250 milhões de libras (US$ 335 milhões) em depósitos de varejo. Esses valores continuarão gerando rendimentos, totalmente garantidos pelo banco e protegidos pelo fundo garantidor britânico.

O sistema utiliza ferramentas de privacidade chamadas de provas de conhecimento zero (zero-knowledge proofs). Essa solução permite validar operações de tokenização sem expor dados comerciais ou informações pessoais na rede.

No longo prazo, a meta é oferecer aos clientes acesso facilitado a fundos privados e linhas de crédito estruturadas diretamente no aplicativo. Caso a estratégia seja bem-sucedida, a infraestrutura será licenciada para outros bancos do mercado.

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Luíza Nunes
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