Entre auditorias atrasadas e normas em série o mercado cripto tenta convencer o Banco Central

Entre auditorias atrasadas e normas em série o mercado cripto tenta convencer o Banco Central

Três das principais associações do setor de ativos digitais no Brasil protocolaram um ofício solicitando o adiamento das novas regras do mercado cripto. ABToken, ABFintechs e Zetta pedem formalmente ao Banco Central (BC) uma prorrogação de 120 dias nos prazos de transição.

O limite atual para as empresas se adequarem à Resolução BCB nº 520/2025 termina em 30 de outubro de 2026. Se o Banco Central aceitar o pedido do setor, a data final de adaptação será transferida para o final de fevereiro de 2027.

A exigência atual inclui o envio de pedidos formais de autorização para as Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs) e a migração obrigatória de clientes de plataformas estrangeiras para estruturas no Brasil. O principal argumento das entidades é o risco de um grande gargalo nas auditorias.

O impacto das novas normas e o futuro das regras do mercado cripto

Dados da certificadora global CertiK revelam que cerca de 80% dos projetos de adequação no Brasil ainda estão nas fases iniciais, com menos de 30% do escopo concluído. Há um temor real de que a demanda por auditorias no período final supere a capacidade do mercado.

No documento, as associações justificam: “O estágio ainda inicial dos projetos não se deve à falta de diligência das instituições, mas decorre da magnitude e complexidade do esforço necessário à implementação dos requisitos estabelecidos pela regulamentação”.

O ofício também aponta que o setor não teve um cenário regulatório estável durante os 270 dias de transição propostos inicialmente. O Banco Central publicou uma série de normas complementares ao longo de 2026, forçando as companhias a reestruturar processos em andamento.

A enxurrada de diretrizes recentes alterou os cronogramas internos e dificultou a adequação das corretoras às regras do mercado cripto. As novas exigências vão desde demonstrações financeiras auditadas até controles complexos de custódia e prevenção à lavagem de dinheiro.

Os quatro pedidos submetidos ao BC focam na extensão de prazos para comunicação de instituições financeiras, transferência de operações estrangeiras e protocolos de autorização. O objetivo das entidades é evitar o fechamento abrupto de empresas e garantir a segurança dos investidores.

Até o momento, o Banco Central do Brasil não se pronunciou publicamente sobre a solicitação de adiamento das associações.