Lucro da Kraken despenca 71% mesmo com avanço sobre a Coinbase

Lucro da Kraken despenca 71% mesmo com avanço sobre a Coinbase

A Payward, empresa proprietária da corretora de criptomoedas Kraken, registrou uma forte oscilação em seus resultados financeiros. O lucro da Kraken antes dos impostos e ajustado somou apenas US$ 23 milhões no último trimestre, o que representa uma queda de 71% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados de uma carta aos acionistas obtida pela Bloomberg.

O desempenho contrasta diretamente com o faturamento da empresa, que cresceu 17% no período, alcançando US$ 508 milhões. O crescimento chama a atenção porque ocorreu em uma fase de desaceleração do mercado de criptoativos, quando a maior concorrente da marca registrava retração.

No mesmo período, a rival Coinbase reportou receitas de US$ 1,22 bilhão em balanço enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), registrando queda de 18% em relação ao ano anterior. Além disso, a Coinbase teve um prejuízo líquido de US$ 359 milhões, impulsionado principalmente pela perda de valor dos ativos digitais que mantém em caixa.

A queda generalizada nas taxas de negociação afetou o setor como um todo, mas os novos serviços da Payward ajudaram a compensar o volume menor de operações. Isso indica que a desaceleração do mercado cripto não é o único fator a explicar por que o resultado final da empresa encolheu de forma tão expressiva.

Essa alteração no lucro da Kraken reflete a agressiva estratégia de expansão adotada pela holding nos últimos 18 meses. Ao todo, os acordos comerciais divulgados publicamente já superam o montante de US$ 2,65 bilhões em aquisições corporativas.

Aquisições bilionárias explicam o recuo no lucro da Kraken

A sequência de compras da empresa inclui a corretora de futuros NinjaTrader por US$ 1,5 bilhão em março de 2025, a plataforma de derivativos Bitnomial por até US$ 550 milhões em abril e a empresa de pagamentos com stablecoins Reap por até US$ 600 milhões. A lista de aquisições engloba ainda a Backed em janeiro, a gestora de tokens Magna em fevereiro e a divisão de carteiras da Magic Labs em julho.

A decisão estratégica já havia sido sinalizada pela diretoria no primeiro trimestre, momento em que o resultado trimestral havia recuado para US$ 18 milhões. Na ocasião, o co-CEO Arjun Sethi afirmou em nota oficial: “Where others pulled back, we leaned in – because our conviction hasn’t wavered, and we believe the investments we’re making will define our competitive position for years to come”.

Por ser uma companhia de capital fechado, a Payward divulga apenas dados financeiros selecionados e sem auditoria externa independente. Detalhes operacionais sobre os custos de integração das empresas compradas, o ritmo de queima de caixa e a divisão exata entre a receita orgânica e a adquirida não foram informados aos acionistas.

A holding chegou a dar entrada confidencial no processo de abertura de capital nos Estados Unidos em novembro de 2025 e levantou US$ 800 milhões em uma rodada que avaliou o negócio em US$ 20 bilhões, com apoio dos fundos Jane Street e DRW Venture Capital. Embora tenha pausado a listagem em março e cortado 150 empregos em maio, a empresa manteve as compras, deixando para o formulário regulatório S-1 a confirmação detalhada de como esses investimentos impactaram o lucro da Kraken.