O avanço da inteligência artificial está transformando a forma como consumimos informação, gerando uma disputa silenciosa pelos valiosos dados do mercado cripto. O foco das grandes empresas do setor mudou: o lucro não vem mais do clique na notícia, e sim do controle das bases de dados que alimentam robôs e fundos de investimento.
Recentemente, a Blockworks comprou a Messari, unificando duas gigantes de análise que cobrem mais de 40 mil ativos digitais; segundo o Wall Street Journal, o negócio passou dos 10 milhões de dólares. O valor mostra um desconto agressivo frente à avaliação anterior da Messari, de 300 milhões de dólares em 2022.
A intenção da Blockworks é clara: construir o “Bloomberg de cripto”. O terminal financeiro tradicional fatura cerca de 11 bilhões de dólares ao ano cobrando quase 32 mil dólares por assinatura em 2026. No ecossistema digital, investidores institucionais buscam essa mesma infraestrutura para acessar dados do mercado cripto via API.
Por que 90% dos dados on-chain são apenas ruído para o mercado cripto?
O impacto da inteligência artificial no controle dos dados do mercado cripto
O principal motor dessa mudança é a queda drástica no tráfego dos sites tradicionais; relatórios globais apontam que as buscas no Google direcionadas a portais de notícias despencaram até 38% nos Estados Unidos. No início de 2026, cerca de 58% das pesquisas no Google terminaram sem qualquer clique externo, pois a inteligência artificial responde tudo diretamente na tela.
Com robôs gerando resumos em segundos dentro de chats, portais como a Penske Media já processam o Google na Justiça por canibalização de tráfego. No ecossistema de moedas digitais, quem detém as métricas definitivas de suprimento de tokens ou tesourarias passa a ditar as regras do jogo de forma estratégica.
A consolidação avança acompanhando a adoção corporativa de IA, que saltou para 20,2% em 2025 segundo dados da OCDE. Em junho, a Kaiko adquiriu a Amberdata para expandir ferramentas voltadas a bancos e fundos. No início do ano, a RedStone comprou a Security Token Market, centralizando ainda mais as informações.
A inteligência artificial eleva o tom dessa competição; em breve, analistas não lerão documentações manuais; eles apenas pedirão que modelos comparem redes em tempo real. A qualidade dessas respostas dependerá exclusivamente de quais dados do mercado cripto a IA foi treinada para confiar.
Embora o ecossistema tenha nascido para eliminar intermediários financeiros, a era da automação está gerando novos centralizadores de informação. Quem dominar esses registros consolidados terá um poder de influência muito maior do que qualquer redação jornalística tradicional já teve no passado.
O mercado de criptomoedas diante do cenário macro global e a urgência por informação estratégica





