A BlackRock decifrou o novo momento do mercado e abocanhou a maior fatia dos ETFs de Bitcoin

A BlackRock decifrou o novo momento do mercado e abocanhou a maior fatia dos ETFs de Bitcoin

Segundo Robert Mitchnick, chefe de ativos digitais da BlackRock, o comportamento dos investidores em relação ao mercado cripto mudou, o que vem impulsionando a adoção dos ETFs de Bitcoin.

Durante uma entrevista, Mitchnick destacou que a criptomoeda começou a se descolar do mercado tradicional de ações. No início do ano, enquanto as empresas do setor de inteligência artificial disparavam, o desempenho da moeda digital ficou estagnado.

No entanto, a dinâmica se inverteu em julho. Com a forte correção das ações de tecnologia, o ativo digital apresentou um desempenho muito superior. Para o executivo da gestora, essa independência é positiva, pois valida a tese de que a criptomoeda funciona como um diversificador e uma proteção na carteira dos investidores.

Apesar da visão institucional construtiva, o cenário recente de preços mostra volatilidade. O ativo registra uma queda de quase 30% no acumulado do ano e está 50% abaixo do patamar de negociação do ano passado, sendo cotado na casa dos US$ 63.853.

Mesmo com a oscilação, a base de cotistas dos ETFs de Bitcoin se mostra resiliente, com perfil focado no longo prazo. Mitchnick lembrou que o mercado já vivenciou cinco grandes ciclos de expansão e retração, e historicamente cada ciclo termina em um patamar financeiro maior que o anterior.

Busca por segurança impulsiona os ETFs de Bitcoin

Os números mais recentes confirmam a confiança contínua no mercado institucional. Na última semana, os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram a melhor captação desde meados de abril, atraindo cerca de US$ 853,5 milhões em apenas cinco sessões.

O fundo gerido pela própria BlackRock liderou esse movimento de forma isolada, captando US$ 693,7 milhões, o equivalente a mais de 80% de todo o fluxo do setor. O fundo da Fidelity apareceu na sequência, respondendo por 13% das entradas com US$ 116,4 milhões.

Um evento externo parece estar motivando essa migração maciça de capital. A recente exploração de uma falha na carteira física Coldcard, que resultou no roubo de mais de US$ 100 milhões, levantou debates sobre os riscos da guarda própria de criptoativos.

De acordo com Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg Intelligence, os fundos da BlackRock, Fidelity e outros concorrentes registraram entradas diárias constantes desde o ataque à Coldcard. Para o especialista, a correlação dos eventos indica que parte dos investidores está abandonando a autocustódia em favor da segurança oferecida pelos fundos regulados.