Por Que a Strategy Interrompeu as Compras de Bitcoin Mesmo Após Declarar Vitória?

Por Que a Strategy Interrompeu as Compras de Bitcoin Mesmo Após Declarar Vitória?

A Strategy completou cinco semanas consecutivas sem realizar novas compras de Bitcoin. A interrupção ocorre no mesmo período em que o presidente executivo da empresa, Michael Saylor, afirmou que a moeda digital “venceu”, ressaltando contudo que os maiores riscos atuais do ativo vêm de dentro da sua própria comunidade.

Em vez de adquirir moedas digitais, a companhia canalizou seus esforços para levantar uma reserva financeira de US$ 3,75 bilhões. A maior parte dos recursos veio da venda de ações MSTR, que totalizou cerca de US$ 1,26 bilhão ao longo de três semanas — incluindo US$ 544,5 milhões captados na última semana.

A reserva de caixa foi montada para garantir 2,1 anos de cobertura de dividendos preferenciais, calculados em aproximadamente US$ 1,76 bilhão por ano. O movimento responde à pressão sobre as ações preferenciais STRC, negociadas a US$ 88,86 (cerca de 11% abaixo do valor nominal de US$ 100), o que levou à aprovação do arcabouço de crédito em junho, permitindo recompras e até US$ 1,25 bilhão em vendas de BTC.

No momento, a empresa detém 843.775 BTC adquiridos a um preço médio de US$ 75.494. Como o Bitcoin opera perto de US$ 63.800, patamar cerca de 49% inferior ao topo histórico de US$ 126.080 registrado em outubro de 2025, o portfólio acumula uma perda teórica de aproximadamente US$ 9,9 bilhões no papel.

O debate do BIP-110 e o impacto nas compras de Bitcoin

A paralisação temporária nas compras de Bitcoin distancia a empresa da meta de atingir 1 milhão de moedas até o final de 2026. Restando cerca de 22 semanas para o fim do ano, a Strategy precisaria adquirir em média 7.000 BTC por semana, o que exigiria um desembolso semanal próximo a US$ 447 milhões.

Além da estratégia financeira de caixa, Saylor direcionou críticas públicas ao BIP-110, uma proposta de bifurcação suave (soft fork) idealizada pelo desenvolvedor Dathon Ohm no Bitcoin Knots. O projeto busca limitar o tamanho de dados arbitrários nas transações e possui uma janela de ativação obrigatória prevista para agosto de 2026.

Saylor comparou as regras de consenso do Bitcoin a uma constituição imutável. Segundo ele, limitar transações pagadoras de taxas reduz a receita dos mineradores, comprometendo a segurança da rede à medida que as recompensas por bloco caem pela metade a cada 210.000 blocos.

A controvérsia dividiu a comunidade de desenvolvimento. Adam Back, presidente da Blockstream, também se opôs à proposta, alertando para o risco de divisão da rede devido ao limite de ativação fixado em 55%. Já os defensores do BIP-110 argumentam que o acúmulo de dados adicionais sobrecarrega os nós validadores e prejudica o uso principal da rede para pagamentos.

Enquanto o prazo de sinalização do BIP-110 se aproxima, os investidores acompanham a publicação dos relatórios semanais da companhia para observar se a pausa nas compras de Bitcoin se estenderá pela sexta semana consecutiva.