A recente recuperação nos preços do mercado cripto não será suficiente para atrair os grandes mineradores de Bitcoin de volta para o setor. A forte migração dessas empresas de capital aberto para a infraestrutura de inteligência artificial (IA) é uma tendência que deve continuar.
A afirmação vem do novo relatório trimestral da CoinShares. Segundo o documento, acordos de longo prazo e retornos muito superiores na área de computação de alto desempenho tornam esse movimento praticamente definitivo para várias operações corporativas.
“Uma recuperação do BTC dificilmente reverterá a transição para IA”, destacou a CoinShares em sua análise. O autor do relatório, Luke Nolan, explicou que desfazer esses acordos comerciais seria algo complexo e financeiramente inviável.
A Core Scientific, por exemplo, pagou quase US$ 42 milhões para cancelar um pedido de 15 EH/s de hardware de mineração de última geração. Além disso, diversas operadoras já comprometeram seus locais de instalação com contratos de aluguel para IA que duram até 15 anos.
Os números explicam a mudança agressiva de foco dos mineradores de Bitcoin. A CoinShares estima que a infraestrutura de IA gera hoje cerca de US$ 1,5 milhão em lucro por megawatt. Em comparação, a atividade cripto rende aproximadamente US$ 500 mil pela mesma quantidade de energia gasta.
O impacto da IA nas empresas e nos mineradores de Bitcoin
Com essa grande diferença de receita, pelo menos 35 EH/s de poder computacional devem deixar o grupo de empresas listadas em bolsa. Esse volume representa quase 4,7% de toda a taxa de hash atual da rede principal, que opera na casa dos 750 EH/s.
Algumas companhias já iniciaram a sua saída. A Keel, antiga Bitfarms, encerrou suas atividades de mineração em junho. A IREN planeja concluir sua transição até o fim de 2026, enquanto a Cipher Digital deve deixar o setor até o final de 2027. A TeraWulf também está desativando seus 145 MW restantes de capacidade.
A economia da mineração foi severamente testada recentemente. O custo médio em dinheiro para produzir uma moeda chegou a US$ 75.500 no segundo trimestre, época em que o ativo fechou cotado a apenas US$ 58.400.
As condições de mercado melhoraram desde então. A recuperação do preço para a faixa de US$ 77.000 elevou a receita diária para cerca de US$ 38 por petahash, levando a maioria dos operadores de volta para acima do ponto de equilíbrio financeiro.
Ainda assim, a CoinShares avalia que os mineradores de Bitcoin que já destinaram sua energia para a inteligência artificial não vão recuar de suas decisões. Empresas como Riot, MARA, HIVE e Bitdeer, no entanto, mantêm modelos flexíveis e podem acabar absorvendo novas capacidades no futuro.



