O maior dogma do Bitcoin entra na mira de desenvolvedores em novo embate sobre emissão

O maior dogma do Bitcoin entra na mira de desenvolvedores em novo embate sobre emissão

O famoso limite de 21 milhões do Bitcoin voltou a ser o centro de intensas discussões técnicas. Com a marca de 20 milhões de unidades já mineradas, especialistas começam a debater o que acontecerá com a segurança do protocolo quando não houver mais novas moedas como recompensa.

O desenvolvedor Peter Todd é um dos que defendem uma mudança estrutural. Ele sugere que a rede adote uma emissão permanente e contínua de moedas após o ano de 2140, data prevista para a mineração do último satoshi.

Hoje, os mineradores recebem 3,125 BTC por bloco validado. No entanto, essa recompensa cai pela metade a cada quatro anos. Quando ela acabar, a receita da mineração dependerá exclusivamente das taxas de transação pagas pelos usuários.

Adam Back rejeita alteração no limite de 21 milhões do Bitcoin

Todd argumenta que essas taxas são irregulares. Segundo ele, essa instabilidade financeira pode incentivar mineradores a reorganizar a blockchain em busca de blocos mais lucrativos.

Para resolver isso, ele propõe uma pequena recompensa permanente. Outro argumento é que essa emissão compensaria os fundos perdidos para sempre em carteiras sem acesso, um modelo semelhante ao já utilizado pela criptomoeda Monero.

A ideia, porém, encontra forte resistência de Adam Back, CEO da Blockstream. Ele afirma que alterar as regras monetárias é perigoso e acusa os defensores da proposta de usarem narrativas simplistas para convencer usuários desinformados.

Back compara a discussão à proposta BIP-110, que tentou filtrar dados na rede e conseguiu apenas 2,53% de apoio dos mineradores. Ele lembra que alterar a oferta máxima exigiria um “hard fork”, dividindo a rede e forçando a comunidade a escolher entre a versão original e a nova.

Por enquanto, não há nenhuma atualização programada nesse sentido. O limite de 21 milhões do Bitcoin continua sendo o principal pilar da narrativa econômica da criptomoeda, atraindo investidores justamente pela garantia de sua escassez digital imutável.