A Securitize quer levar para a blockchain algo maior do que ações: o próprio mercado de capitais

A Securitize quer levar para a blockchain algo maior do que ações: o próprio mercado de capitais

A tokenização começou por uma ideia relativamente simples: pegar um ativo que já existe e criar uma representação dele em blockchain.

Fundos, títulos públicos, crédito privado e, mais recentemente, ações passaram a seguir esse caminho. A infraestrutura mudava, mas o ativo continuava nascendo essencialmente dentro das mesmas estruturas do mercado tradicional.

A Securitize agora quer avançar uma etapa.

A empresa fechou uma parceria com a Cantor Fitzgerald para permitir que companhias realizem IPOs e ofertas subsequentes utilizando infraestrutura blockchain. Em vez de colocar onchain apenas uma ação que já existe, a proposta é usar essa infraestrutura no próprio momento em que uma empresa acessa o mercado e emite os títulos para investidores. 

É uma diferença pequena na aparência, mas enorme naquilo que representa.

A tokenização começa a avançar do ativo para o próprio mercado que o cria.

Tokenizar uma ação é diferente de tokenizar sua origem

Boa parte do avanço recente das ações tokenizadas acontece depois que o mercado tradicional já fez o trabalho principal.

Uma companhia abre capital. Suas ações são registradas e negociadas dentro da infraestrutura convencional. Depois, alguma estrutura permite que esses papéis também sejam representados ou acessados onchain.

A parceria entre Securitize e Cantor tenta mudar essa sequência.

A Cantor levará sua experiência em mercado de capitais e negociação, enquanto a Securitize fornecerá a infraestrutura para emissão, distribuição e administração dos valores mobiliários tokenizados. As empresas pretendem permitir que companhias levantem capital por meio de IPOs e follow-ons onchain sem abandonar o arcabouço regulatório das ofertas públicas tradicionais. 

A blockchain deixa, portanto, de ser apenas um destino alternativo para o ativo.

Ela começa a participar de seu nascimento.

E isso aproxima a tokenização de uma ambição muito maior do que oferecer versões digitais de ações tradicionais.

A infraestrutura começa a ocupar mais etapas da operação

O movimento não surgiu isoladamente.

Em maio, a Securitize recebeu aprovação da FINRA para ampliar as atividades de sua broker-dealer e custodiar valores mobiliários tokenizados, além de permitir liquidação atômica entre esses ativos e stablecoins. Em julho, a própria companhia levou suas ações para blockchain simultaneamente à estreia na NYSE. Nesta semana, sua divisão Securitize Capital também se registrou na SEC como investment adviser. 

Colocados lado a lado, esses movimentos mostram uma estratégia que vai além de tokenizar ativos.

Emissão, registro, custódia, negociação e liquidação são partes diferentes da infraestrutura que permite ao mercado de capitais funcionar.

Quanto mais dessas etapas migram para sistemas onchain, menos sentido faz pensar na tokenização apenas como uma nova embalagem para um ativo tradicional.

O que começa a mudar é a arquitetura por trás dele.

A próxima fase da tokenização começa antes da negociação

Isso não significa que Wall Street esteja prestes a abandonar bolsas, depositárias ou intermediários tradicionais.

A própria parceria entre Securitize e Cantor foi desenhada para funcionar dentro da estrutura regulatória existente. A transformação, pelo menos neste momento, parece muito mais uma modernização dessa infraestrutura do que sua substituição. 

Mas existe uma mudança importante na direção do mercado. A primeira onda da tokenização perguntou quais ativos poderiam ser colocados em blockchain.

Agora começa a surgir uma pergunta diferente: quantas das operações necessárias para criar, distribuir e liquidar esses ativos também podem acontecer ali?

É nesse ponto que o movimento da Securitize ganha importância.

A empresa não está propondo simplesmente uma nova forma de negociar ações depois que elas chegam ao mercado, está tentando levar a blockchain para o lugar onde essas ações começam a existir.

Se essa transição avançar, a maior consequência da tokenização talvez não seja colocar Wall Street na blockchain, será fazer com que parte do próprio mercado de capitais nasça nela.