A aquisição da Glide pela MoonPay parece, à primeira vista, apenas mais uma compra entre empresas do setor. Mas talvez ela revele uma mudança muito mais importante na forma como a indústria pretende crescer.
Aprender a usar criptomoedas significava entender redes diferentes, escolher carteiras compatíveis, calcular taxas e decidir por onde enviar cada transação.
Agora o objetivo parece ser exatamente o contrário.
A melhor tecnologia talvez seja aquela que o usuário nunca percebe
A Glide desenvolveu uma infraestrutura capaz de escolher automaticamente a melhor rota para uma transação, independentemente da blockchain, do token ou da carteira utilizada pelo usuário.
Essa mudança altera a lógica de adoção do mercado.
Em vez de exigir que cada pessoa aprenda como funciona a infraestrutura das criptomoedas, as empresas começam a investir para que toda essa complexidade desapareça da experiência de uso.
Esse processo não é exclusivo do setor financeiro. A internet seguiu um caminho semelhante. Os primeiros usuários precisavam entender protocolos, configurações de rede e conexões. Hoje, quase ninguém pensa na tecnologia por trás de uma chamada de vídeo ou de um pagamento online.
As blockchains parecem caminhar na mesma direção.
Se diferentes redes conseguirem funcionar de forma integrada e invisível, o usuário deixará de escolher uma blockchain da mesma forma que hoje ninguém escolhe qual protocolo utiliza para enviar um e-mail.
Talvez esse seja o verdadeiro significado da aquisição da Glide.
O próximo estágio da indústria pode não depender de criar mais blockchains, mas de fazer com que elas desapareçam da experiência do usuário.
Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser um diferencial percebido e passa a cumprir o papel mais importante que uma infraestrutura pode alcançar: funcionar sem que ninguém precise pensar nela.




