JPMorgan e Wells Fargo chegaram à mesma conclusão sobre blockchain

JPMorgan e Wells Fargo chegaram à mesma conclusão sobre blockchain

A principal discussão sobre blockchain no sistema financeiro girou em torno da criação de novas formas de dinheiro, CBDCs, stablecoins, moedas emitidas por bancos.

Parecia natural imaginar que a grande transformação aconteceria quando o dinheiro tradicional fosse substituído por versões totalmente novas, mas os maiores bancos do mundo começam a seguir outro caminho.

Sem abandonar essas iniciativas, eles passaram a concentrar seus investimentos em algo muito menos visível: a infraestrutura responsável por movimentar o dinheiro que já existe.

Os projetos mais recentes apontam para a mesma direção

Nos últimos meses, JPMorgan expandiu o uso de depósitos tokenizados e acelerou a integração de sua infraestrutura blockchain para clientes institucionais. Pouco depois, o Wells Fargo anunciou que passará a oferecer depósitos tokenizados para empresas, utilizando uma blockchain permissionada desenvolvida pelo próprio banco.

As iniciativas foram anunciadas separadamente e possuem arquiteturas diferentes, mesmo assim, ambas apontam para a mesma conclusão.

O objetivo já não é criar uma nova moeda para substituir os depósitos bancários é fazer com que esses próprios depósitos circulem de forma mais eficiente.

Essa lógica também aparece em iniciativas como o Project Agorá, que utiliza depósitos tokenizados e reservas de bancos centrais para modernizar pagamentos internacionais, e em projetos conduzidos por Swift e outras instituições voltados para sincronização de liquidação e interoperabilidade financeira.

O padrão começa a ficar evidente.

Blockchain está resolvendo um problema diferente

A blockchain foi apresentada como uma tecnologia capaz de criar novos ativos digitais, hoje os bancos parecem enxergar outro potencial.

A tecnologia passa a ser utilizada para reduzir o tempo de liquidação, sincronizar registros, automatizar processos e permitir que dinheiro bancário continue existindo dentro de uma infraestrutura mais eficiente.

Essa mudança parece sutil mas ela altera completamente a forma como instituições financeiras justificam seus investimentos em blockchain. A inovação deixa de estar concentrada na criação de um novo dinheiro e passa a estar na modernização da forma como o dinheiro atual circula.

A infraestrutura começa a importar mais do que a moeda

Essa transformação ajuda a explicar por que depósitos tokenizados ganharam força justamente quando o debate sobre CBDCs perdeu intensidade em diversas jurisdições.

Para um banco comercial, criar uma nova moeda pode ser muito menos relevante do que reduzir custos operacionais, ampliar a disponibilidade dos pagamentos e oferecer liquidação praticamente contínua para seus clientes corporativos.

Nesse cenário, blockchain deixa de representar uma alternativa ao sistema financeiro, ela começa a funcionar como uma nova camada tecnológica dentro dele.

O cliente continua utilizando depósitos bancários, o que muda é a infraestrutura invisível que faz esses depósitos circularem.

Talvez a maior transformação aconteça sem que os clientes percebam

Nada disso significa que stablecoins ou moedas digitais emitidas por bancos centrais perderão importância.

Essas iniciativas continuam evoluindo e deverão desempenhar papéis relevantes em diferentes segmentos do mercado.

O que começa a aparecer, porém, é uma mudança de prioridade.

Os maiores bancos do mundo parecem ter chegado, de forma independente, à mesma conclusão.

Blockchain pode até criar novas formas de dinheiro.

Mas seu maior impacto talvez esteja em tornar muito mais eficiente o dinheiro que já movimenta o sistema financeiro todos os dias.