A rede Solana chegou muito perto de uma interrupção total na manhã desta quarta-feira. Um problema de roteamento em uma empresa de hospedagem tirou do ar 28,83% de todo o SOL em staking em questão de minutos. Segundo a plataforma Marinade Finance, o incidente alcançou 86% do limite necessário para que o sistema interrompa a finalização de transações.

O evento começou na Teraswitch, uma provedora de hospedagem bastante utilizada por validadores da criptomoeda. Uma rota quebrada originada em Miami se espalhou por um retransmissor interno em Amsterdã, derrubando a conexão de doze locais entre Londres e Tóquio. A falha técnica passou despercebida na América do Norte.

A equipe da provedora identificou o erro em cerca de 10 minutos, mas a recuperação completa demorou 33 minutos. Cerca de 90 validadores ficaram inativos, o que resultou em uma perda conjunta de 333 SOL em recompensas, algo em torno de US$ 25.600. Esse valor será restituído pelas garantias dos validadores ao final do ciclo.

Concentração de servidores expõe vulnerabilidades da rede Solana

O incidente revelou problemas estruturais na distribuição da rede Solana. Um único bloco de endereços de internet (ASN), o AS20326, concentra 27,34% de todo o saldo em staking na plataforma. Durante o erro de rota, 94% desse volume ficou offline simultaneamente, ultrapassando o limite de segurança de 25% estabelecido pelo programa da Fundação Solana.

Os sistemas de contingência também não funcionaram como esperado. A Marinade monitorou 74 validadores e constatou que apenas três migraram automaticamente para um site secundário. A Helius, segunda maior validadora do ecossistema, permaneceu inoperante durante todos os 33 minutos. A Marinade já anunciou que implementará limites mais rígidos por data center para mitigar esses riscos.

Apesar da falha, nenhum fundo de usuário esteve sob ameaça e o mercado absorveu a notícia sem solavancos, com o SOL operando estável perto de US$ 76,46. O foco agora se volta para a atualização Alpenglow, prevista para outubro, que promete maior velocidade nas operações, mas cuja eficiência depende da correção das falhas de centralização dos provedores atuais.

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Luíza Nunes
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