
Os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos devolveram todo o dinheiro captado em 2026 e agora acumulam um saldo negativo de US$ 502 milhões no ano. Até 5 de novembro, os fundos registraram US$ 25,6 bilhões em entradas, mas tiveram US$ 26,1 bilhões em saídas, segundo dados da SoSoValue.
O resultado representa uma mudança importante no comportamento dos investidores institucionais, já que os fundos negociados em bolsa vinham funcionando como uma das principais portas de entrada de capital para o mercado de Bitcoin.
Mesmo com US$ 96,65 bilhões em patrimônio, os ETFs estão abaixo dos US$ 113,29 bilhões registrados no encerramento de 2025. Na prática, o canal de investimento que ajudou a sustentar a demanda institucional nos últimos anos ainda não conseguiu gerar entradas líquidas positivas em 2026.
Para efeito de comparação, os ETFs de Bitcoin à vista receberam aproximadamente US$ 35,2 bilhões em aportes líquidos em 2024 e outros US$ 21,4 bilhões em 2025.
A movimentação recente também mostra que a queda não ocorreu por falta de atividade. Em 5 de novembro, o volume negociado em cotas dos fundos chegou a US$ 3,89 bilhões. Ainda assim, o dinheiro que entrou não foi suficiente para compensar os resgates.
Entre 2 e 5 de novembro, os produtos perderam US$ 869,8 milhões. Somente na quinta-feira (5), as saídas chegaram a US$ 430,2 milhões.
O movimento aconteceu em meio à pressão sobre os ativos de risco, enquanto ações de empresas de tecnologia também recuavam. Nesse cenário, o Bitcoin voltou a testar a região dos US$ 75 mil e era negociado perto de US$ 75,5 mil na sexta-feira (6), segundo a SoSoValue.
ETFs de Bitcoin não estão sozinhos na onda de resgates
Os fundos de Ethereum à vista nos Estados Unidos também apresentam saldo negativo em 2026. Até o período analisado, os produtos acumulavam aproximadamente US$ 310 milhões em saídas líquidas.
O patrimônio desses ETFs caiu de US$ 17,95 bilhões para US$ 13,04 bilhões. Outubro foi particularmente difícil: os investidores retiraram US$ 1,61 bilhão, tornando o mês o pior desde o lançamento dos fundos.
Os dados da Glassnode apontaram ainda uma sequência de 23 dias consecutivos de negociações com saídas líquidas dos ETFs de Ethereum até 31 de outubro, o maior período desse tipo já registrado.
Apesar do cenário negativo, nem todos os produtos de investimento em Bitcoin estão enfrentando resgates. O MSBT, ETF de Bitcoin da Morgan Stanley, acumulou US$ 783 milhões em entradas líquidas, conforme os dados da SoSoValue.
A distribuição desses produtos também continua entre as instituições financeiras. O Citi Wealth, por exemplo, apresentou ETFs de Bitcoin aos seus clientes durante a mesma semana em que os fundos registraram novas retiradas.
O saldo de 2026, porém, ainda pode mudar. Os dados referentes à sexta-feira (6) não haviam sido publicados no momento do levantamento da SoSoValue citado na reportagem.
Para encerrar o ano no positivo, os ETFs de Bitcoin precisarão atrair mais de US$ 502 milhões em entradas líquidas ao longo das oito semanas restantes de 2026.
Caso isso não aconteça, será a primeira vez desde o lançamento dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos, em janeiro de 2024, que os produtos fecharão um ano-calendário com saldo líquido negativo.









