O preço do Bitcoin opera abaixo do patamar de US$ 80 mil nesta terça-feira (27), sem forças para recuperar as perdas recentes, mesmo acompanhando um momento de melhora nos mercados acionários internacionais.

A maior criptomoeda do mundo registra uma queda de 0,7% nas últimas 24 horas, cotada a US$ 80.065.

Entre os principais altcoins do mercado, o Ethereum recua 0,6%, cotado a US$ 2.304. A Solana apresenta queda de 1,3% e a BNB recua 0,1%, enquanto a XRP se destaca na direção oposta com leve alta de 0,5%.

O movimento recente estende uma tendência negativa. O ativo acumula uma retração de cerca de 5% em relação ao topo de US$ 84.800 registrado na semana passada, pressionado pelas incertezas sobre os juros nos Estados Unidos e o desempenho das empresas de tecnologia.

Apesar da postura cautelosa do setor cripto, as bolsas mundiais mostram sinais de recuperação. Na Ásia, o índice Kospi (Coreia do Sul) subiu cerca de 3,9% e o Nikkei (Japão) avançou 1,9%, impulsionados por gigantes dos semicondutores como Samsung e SK Hynix.

Essa recuperação asiática foi motivada por novidades no setor de inteligência artificial, como a busca da Meta por US$ 95 bilhões em capital e o planejamento da Anthropic para uma oferta pública de ações. Nos EUA, o Nasdaq e o S&P 500 já haviam fechado a segunda-feira no positivo.

Paralelamente, a cotação do petróleo Brent apresentou queda diante das expectativas de avanços diplomáticos envolvendo EUA, Israel e Irã. Contudo, a commodity permanece acima dos US$ 110 por barril, mantendo aceso o alerta sobre a inflação global.

No cenário doméstico, o mercado financeiro viveu um dia atípico na segunda-feira. O dólar saltou 8,21%, fechando a R$ 5,403, e o Ibovespa recuou 13,88% após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa forte valorização cambial impactou diretamente o mercado local. Como a criptomoeda é cotada em dólares no exterior, o avanço da moeda americana fez a cotação em moeda nacional disparar 8,66% na tarde de segunda-feira, alcançando aproximadamente R$ 436 mil.

Reunião do Fed e fatores que impactam o preço do Bitcoin

O ponto central de atenção dos investidores nesta semana é a reunião de política monetária do Federal Reserve, que começa hoje e terá sua decisão anunciada na quarta-feira (28).

A projeção dominante é de manutenção da taxa de juros americana na faixa entre 3,75% e 4% ao ano. Entretanto, o mercado busca pistas nas declarações do presidente da instituição, Kevin Warsh, sobre um eventual aumento na reunião de dezembro.

A persistência da inflação, impulsionada pelo petróleo elevado e por conflitos geopolíticos, pode levar o banco central americano a prolongar a política de juros altos, cenário que tende a pressionar ativos de risco e reduzir o interesse pelo ecossistema cripto.

Segundo análise da consultoria FxPro, a pressão vendedora tem sido contida pelos compradores, mas a moeda ainda não demonstra força para uma retomada firme. A empresa pontua que o ativo caminha para a quarta semana seguida de perdas, com risco de correção até a faixa dos US$ 75 mil.

Por outro lado, especialistas consultados pelo portal CoinDesk indicam que a retomada do patamar de US$ 82.500 é fundamental para confirmar um retorno consistente da demanda compradora.

A liquidez institucional também reflete esse momento de retração. Na semana passada, os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA registraram saídas relevantes, atingindo US$ 635,6 milhões em saques em um único dia.

A agenda da semana segue cheia. Os investidores acompanham os balanços da Galaxy Digital e Robinhood nesta terça, além de Coinbase e Strategy na quinta (29), juntamente com resultados de Big Techs como Microsoft, Alphabet e Amazon. Além disso, as decisões do BCE e do Banco do Japão devem manter a volatilidade alta.

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Luíza Nunes
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