O XRP registrou uma entrada de 6,05 bilhões de tokens em corretoras centralizadas ao longo de 30 dias até 19 de outubro, segundo dados da CryptoQuant. O volume é o maior desde março de 2026 e representa o dobro do observado em meados de agosto.

O avanço dos depósitos ocorreu em meio à volatilidade do mercado. Depois de sair de aproximadamente US$ 1 e alcançar um pico próximo de US$ 1,70, o ativo recuou para cerca de US$ 1,30, acumulando uma queda de quase 24% em relação à máxima.

A Binance concentrou a maior parcela das movimentações, com cerca de 2,46 bilhões de XRP recebidos no período, o equivalente a 40,7% do total. A Bybit registrou aproximadamente 580 milhões de tokens, seguida por OKX, com 557 milhões, Upbit, com 544 milhões, e Bitget, com outros 285 milhões.

O aumento das transferências coloca mais tokens no ecossistema das plataformas de negociação, o que pode facilitar operações e ampliar a liquidez de curto prazo. Também pode anteceder vendas caso investidores depositem seus ativos com a intenção de negociá-los.

No entanto, os números, isoladamente, não confirmam uma onda de vendas. Os tokens podem ser movimentados entre corretoras, serviços de custódia e formadores de mercado, além de serem usados como garantia em produtos financeiros.

Depósitos de XRP avançam enquanto saques de baleias recuam

Outro indicador da CryptoQuant aponta uma redução expressiva nas retiradas atribuídas a grandes detentores, conhecidos como baleias. A média móvel de 90 dias desse indicador caiu para US$ 49,7 milhões, o menor nível desde outubro de 2021.

Em fevereiro de 2025, pouco depois de o XRP negociar próximo de US$ 3,40, a métrica havia alcançado cerca de US$ 3,5 bilhões. Desde aquele pico, recuou 98,6%.

Segundo a CryptoQuant, o XRP vem atraindo cada vez menos atenção de grandes investidores. Parte deles pode estar aguardando preços mais favoráveis antes de ampliar a exposição. Sem a retomada dessa demanda, o ativo também pode enfrentar dificuldades para encontrar compradores no longo prazo.

A queda nos saques, contudo, não significa que todas as baleias estejam vendendo. O indicador mostra principalmente que transferências de grande porte das corretoras para carteiras externas se tornaram menos frequentes. Esse tipo de retirada costuma ser associado à acumulação, porque reduz a quantidade de tokens imediatamente disponível nas plataformas para negociação.

Os dois movimentos merecem atenção em conjunto: mais XRP está chegando às corretoras, enquanto os grandes saques diminuem. Se essa combinação persistir, poderá aumentar a oferta disponível para negociação justamente quando a participação de grandes compradores parece enfraquecida.

Preço do XRP em US$ 1,30 segue no centro das atenções

O XRP permanece em uma faixa estreita após a recuperação registrada durante o verão no Hemisfério Norte. A região de US$ 1,30 representa um ponto importante para acompanhar o equilíbrio entre compradores que defendem esse patamar e detentores que aproveitam as recuperações de preço para transferir seus tokens.

Os fundos negociados em bolsa (ETFs) ligados ao ativo também oferecem pouco suporte adicional. Depois de 13 semanas consecutivas de entradas, esses produtos teriam registrado saídas líquidas de aproximadamente US$ 1,84 milhão em uma semana.

As entradas acumuladas em outubro também continuam bem abaixo das observadas em setembro.

A desaceleração dos fluxos institucionais, por si só, não confirma uma nova queda. O comportamento do preço dependerá, em parte, do destino dos 6,05 bilhões de XRP transferidos e de uma possível retomada das compras por grandes investidores.

Uma estabilização acima de US$ 1,30 acompanhada de uma redução nos depósitos em corretoras diminuiria o risco de pressão vendedora. Por outro lado, uma perda desse nível com as entradas permanecendo elevadas poderia indicar que mais tokens estão chegando ao mercado enquanto a demanda das baleias continua fraca.

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Luíza Nunes
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Luíza Nunes