O fundador da TRON, Justin Sun, adota uma postura mais pessimista com Bitcoin após avaliar as ameaças crescentes da inteligência artificial e da computação quântica. Segundo o executivo, os investidores que mantêm o ativo por meio de ETFs ainda não precificaram esses riscos tecnológicos no mercado.

A discussão foca na capacidade da criptografia do Bitcoin de resistir aos avanços acelerados das pesquisas quânticas e aos novos métodos de IA. Em entrevista a William Joy, Sun destacou que a evolução nos algoritmos de inteligência artificial pode permitir que computadores clássicos quebrem a segurança atual antes mesmo da chegada de um supercomputador quântico pleno.

“If you ask about my personal view, I am currently slightly more bearish. The reason is straightforward: the algorithm evolution of AI and the issue of QD (quantum computing). I believe it will be difficult for BTC to walk away unscathed from this,” declarou Justin Sun.

Embora não existam máquinas atuais com essa capacidade, o cronograma das pesquisas encurtou. Em março de 2026, a Google Quantum AI estimou que menos de 500.000 qubits físicos seriam suficientes para romper a segurança da rede, representando uma redução de aproximadamente 20 vezes em comparação com dados anteriores.

Avanços recentes reforçam essa preocupação. No dia 15 de outubro, pesquisadores demonstraram a manipulação de estados mágicos no chip Willow da Google, reduzindo os erros em cerca de 40 vezes.

O estudo, publicado na revista Science, atingiu 99,99% de fidelidade. Mesmo com apenas 105 qubits, o avanço ajuda a diminuir o porte dos sistemas necessários para eventuais ataques criptográficos.

O impacto da computação quântica nas carteiras de Bitcoin

Uma parcela expressiva das moedas em circulação está vulnerável a esses cenários. Dados do cofundador da Glassnode indicam que 6,04 milhões de BTC — cerca de 31,2% do fornecimento minerado, estão em endereços com chaves públicas visíveis, enquanto outras análises estimam esse volume em até 6,9 milhões de BTC.

A exibição dessas chaves públicas torna as moedas teoricamente suscetíveis a invasões. Conforme alertou Sun, caso ocorra uma quebra de segurança por IA ou computação quântica, esses ativos parados podem ser violados, gerando uma pressão de venda superior a 2 milhões de BTC no pior cenário.

Ele ressaltou ainda que a descentralização do Bitcoin dificulta consensos entre mineradores para congelar ou restringir fundos via hard fork.

Diante desse contexto, a Coinbase publicou considerações técnicas no dia 13 de outubro recomendando preparativos antecipados na comunidade. A corretora defende o uso de formatos flexíveis de saída e proteções híbridas imediatas, lembrando que transições de consenso no ecossistema podem levar anos para serem concluídas.

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Luíza Nunes
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