
Ao contrário de Bitcoin e Ether, o XRP tem enfrentado dificuldades para entregar os mesmos ganhos expressivos aos seus investidores no longo prazo.
O preço do XRP atualmente é negociado na casa de US$ 1,33, acumulando uma queda de 62,5% em relação ao seu topo histórico de US$ 3,55 registrado em janeiro de 2018. Quem comprou o token naquele pico permanece em prejuízo quase nove anos depois.
Apesar de ter ultrapassado brevemente sua marca máxima ao atingir US$ 3,66 em julho de 2025, o ativo sofreu um forte recuo em seguida. Em comparação, no mesmo período desde o final de 2017 e início de 2018, o Bitcoin acumula valorização de 314%, o Dogecoin subiu 322%, o BNB disparou cerca de 2.800% e o Ether avançou 66%.
Já a Zcash opera com alta de 38%, enquanto a Tron registra leve queda de cerca de 4%.
Especialistas apontam que o aumento expressivo na oferta circulante é uma das razões que explicam essa dinâmica. Segundo Nicolai Sondergaard, analista sênior de pesquisa da Nansen, a quantidade de tokens no mercado subiu 63%, saltando de 38,7 bilhões em 2017 para 63,1 bilhões, enquanto o valor total de mercado do XRP caiu cerca de 3%.
Com mais unidades em circulação, cada token passa a representar uma fatia menor do valor global.
Oliver Carding, chefe de marketing da gestão institucional Tesseract Group, destaca que a recuperação é mais visível quando calculada pelo valor total e não pela cotação individual. “Em termos de valor, o XRP se recuperou”, afirmou. “Existem cerca de 63% a mais de XRP em circulação do que naquele pico, portanto a mesma capitalização de mercado circulante resultaria em um preço aproximadamente 39% menor.”
A demanda enfraquecida também tem pesado contra o desempenho do ativo frente aos seus pares. Embora os fundos negociados em bolsa (ETFs) nos Estados Unidos tenham atraído bilhões para Bitcoin e Ether, os aportes em fundos de XRP captaram apenas US$ 1,80 bilhão desde o lançamento há quase um ano.
Para efeito de comparação, os ETFs de Bitcoin costumam registrar captações superiores a US$ 1 bilhão em um único dia.
O que afeta a demanda e o preço do XRP no mercado
A queda na atividade de negociação reflete esse desinteresse momentâneo. Dados da Nansen indicam uma retração de 53,5% no volume à vista de XRP, queda de 44% nos contratos futuros perpétuos e redução de 10,7% nos endereços ativos. Além disso, novos temas como finanças descentralizadas (DeFi) impulsionaram ativos como ETH, SOL e HYPE, setor ao qual o XRP não dedicou seu foco principal.
A estratégia da Ripple, empresa associada ao token, priorizou a criação de infraestrutura para pagamentos transfronteiriços, o desenvolvimento da RLUSD e produtos de financiamento comercial. Esse direcionamento acabou desviando a atenção exclusiva em relação ao ativo nativo.
Outro obstáculo decisivo foi o impasse jurídico com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), iniciado em dezembro de 2020 sob a acusação de venda não registrada de valores mobiliários. Em 2023, a Justiça norte-americana determinou que as vendas públicas não configuravam oferta de valores mobiliários, embora as vendas institucionais sim.
A Ripple foi condenada a pagar uma multa de US$ 125 milhões em 2024, e o processo foi encerrado definitivamente em agosto de 2025 após a desistência dos recursos por ambas as partes. Para Carding, a incerteza regulatória explica por que o token não renovou máximas em 2021.
Desde o fim do processo em agosto de 2025, o token recuou cerca de 59%, enquanto o Bitcoin caiu 32% e o Ether 44%.
O XRP não é a única criptomoeda a ficar para trás, já que seis das dez maiores moedas de janeiro de 2018 operam atualmente abaixo dos patamares daquela época. Analistas recomendam observar o desempenho relativo frente ao Bitcoin e o ritmo das liberação de tokens em custódia para avaliar a real força da demanda do mercado.









