Bitcoin voltou a virar assunto com o número de carteiras que guardam entre 10 e 10.000 BTC, chamadas de baleias, chegaram a 20.338, um recorde histórico, segundo a Santiment. O número subiu rápido desde meados de julho, mesmo com o preço oscilando em um corredor apertado.

A leitura da Santiment é clara: a entrada de novos detentores de grande porte nesse intervalo costuma andar lado a lado com a direção futura do preço. Em outras palavras, dinheiro pesado está comprando e segurando — um sinal que, para os otimistas, cria um cenário mais saudável para uma alta futura. Ainda assim, a empresa fez um aviso prudente: o preço pode cair no curto prazo.

“Persistent growth among Bitcoin’s most influential wallets creates a healthier setup for future upside if accumulation continues,” disse a Santiment.

Enquanto as baleias acumulam, outra turma aposta contra. As taxas de funding na Binance ficaram negativas em -0,0073%, conforme o analista Darkfost — abaixo do ponto neutro que a própria Binance embute em 0,01%. Isso significa que, no agregado, a maioria dos traders está posicionada em short.

A mudança de humor veio depois de dados de inflação ao consumidor e ao produtor mais quentes do que o esperado, que aumentaram as apostas por um aperto adicional de juros. Na esteira disso, o Bitcoin chegou a cair abaixo de US$ 80.000 em 15 de outubro, logo após o relatório do PPI.

ETF e fluxo de capital: a história também tem reviravolta

Os ETFs spot de Bitcoin nos EUA registraram saídas líquidas de cerca de US$ 539,8 milhões entre 1º e 14 de outubro — incluindo US$ 261,5 milhões só no dia 14. Para efeito de comparação, os fundos tinham atraído US$ 3,52 bilhões em agosto e US$ 2,65 bilhões em setembro.

No front do preço, o BTC recuperou parte das perdas nas últimas 24 horas e era negociado a US$ 82.034, alta de 1,49% no dia. Esse movimento o coloca novamente acima do custo médio das participações dos ETFs spot americanos, estimado em US$ 81.500 pela Glassnode.

Glassnode e analistas apontam níveis-chave: US$ 80.000 e US$ 74.000 como zonas de suporte; o maior bloco de ordens de compra na Binance aparece em US$ 80.000, e a True Market Mean fica perto de US$ 78.000.

No lado positivo, US$ 88.000 é o preço médio de compradores de 6 a 12 meses e também um ponto onde liquidações de shorts podem ocorrer — um fechamento diário acima disso, acompanhado de novos fluxos para ETFs, seria um sinal de que a demanda está absorvendo oferta.

Darkfost lembra que posicionamentos excessivamente pessimistas já antecederam reversões no passado, embora algumas tenham sido efêmeras. Se o BTC testar novamente US$ 80.000, a evolução do número de carteiras grandes, medida pela Santiment, será um termômetro essencial: as baleias continuam comprando na queda ou preferem esperar?

O que isso significa para quem acompanha o mercado de perto

A cena atual mistura dois sinais contraditórios: acumulação de investidores de grande porte e pressão de shorts com saída de capital de ETFs.

Para quem vive o ecossistema cripto, isso traduz um momento de tensão criativa — grandes players apostam no ativo, enquanto traders alavancados tentam lucrar com correções.

Se as baleias mantiverem a compra, o terreno fica mais fértil para uma retomada sustentável. Se os shorts seguirem dominando e os ETFs continuarem a ver saídas, a volatilidade pode alongar a fase de indecisão.

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Luíza Nunes
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