A Squads testou com sucesso uma assinatura pós-quântica na mainnet da Solana, abrindo caminho para um novo método de autenticação em carteiras multisig, que exigem múltiplas aprovações para autorizar transações. O recurso deve chegar à próxima versão da extensão de navegador SquadsX.

Sean Ganser, cofundador da Squads, anunciou o teste em 13 de outubro. A equipe utilizou o esquema Falcon-512 para verificar assinaturas de participantes responsáveis pelas votações em contas multisig do protocolo.

O desenvolvimento acontece em meio ao debate sobre como proteger ativos digitais de possíveis avanços na computação quântica e em técnicas matemáticas impulsionadas por inteligência artificial (IA).

Como a assinatura pós-quântica funciona na Solana

O Falcon-512 é um sistema de assinaturas digitais baseado em reticulados matemáticos, projetado para resistir a ataques de computadores quânticos. A tecnologia foi submetida em 2017 ao projeto de criptografia pós-quântica do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST).

Na implementação da Squads, um programa desenvolvido pela Blueshift, chamado Vector, verifica as assinaturas fora da blockchain. Depois de validar a assinatura Falcon-512, o sistema autoriza um endereço derivado de programa (PDA) a participar do processo de aprovação multisig.

A solução permite adicionar autenticação pós-quântica sem substituir as assinaturas Ed25519 nativas da Solana nem reformular o programa principal de multisig. A Squads também incorporou o Falcon-512 à interface de gerenciamento de chaves, enquanto outras alternativas, como ML-DSA-44, Winternitz e XMSS, seguem previstas para versões futuras.

A arquitetura permite combinar diferentes métodos de assinatura na mesma estrutura de aprovações. Em uma carteira que exige duas assinaturas entre três participantes, por exemplo, dois podem utilizar Falcon-512 e o terceiro pode continuar usando Ed25519.

Mesmo que a assinatura tradicional seja comprometida, um invasor ainda precisaria comprometer pelo menos um dos participantes protegidos pelo Falcon-512 para alcançar o limite necessário de aprovações.

A proteção, porém, não abrange todas as etapas de uma transação. A Solana continua exigindo uma assinatura Ed25519 do endereço que paga as taxas da rede, mesmo quando a autorização multisig utiliza assinaturas pós-quânticas.

Para reduzir essa exposição, a Squads propõe separar o pagador de taxas da conta que controla o tesouro. Um endereço rotativo, com apenas a quantidade de SOL necessária para cobrir os custos das transações, poderia limitar os ativos expostos caso sua chave de assinatura se tornasse vulnerável.

Em 8 de outubro, Anatoly Yakovenko, cofundador da Solana, também pediu que desenvolvedores de carteiras comecem a implementar criptografia pós-quântica e estabeleçam processos confiáveis para administrar e trocar segredos criptográficos.

O debate ganhou força após Justin Drake, pesquisador da Ethereum Foundation, defender que o setor considere medidas preventivas diante da possibilidade de avanços em matemática impulsionados por IA ameaçarem os sistemas criptográficos atuais.

Outros pesquisadores questionam a urgência desse cenário e ressaltam que avanços em IA matemática não demonstram, por si só, que os problemas matemáticos que sustentam as assinaturas digitais já possam ser resolvidos por atacantes.

Até o momento, não há evidências públicas de que a IA tenha quebrado os principais pressupostos criptográficos das assinaturas digitais amplamente utilizadas.

O teste da Squads demonstra como uma assinatura pós-quântica pode ser incorporada a uma aplicação blockchain existente sem substituir toda a estrutura de autorização. A proteção efetiva, no entanto, também depende de gerenciamento seguro de chaves, procedimentos confiáveis de migração e implementações capazes de resistir ao uso real.

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Luíza Nunes
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