Uma investigação recente apontou que unidades da carteira Ledger comercializadas por um revendedor no Sudeste Asiático, a CryptoBilis, foram alvos de um ataque físico à cadeia de suprimentos com a instalação de um componente oculto.

O chamado “chip espião” colocado no interior do dispositivo era capaz de capturar a frase de recuperação de 24 palavras diretamente na tela durante a configuração inicial do aparelho, transmitindo os dados via rede móvel LTE com o uso de um eSIM.

A falha não afetou o Elemento Seguro ou o sistema operacional original da carteira Ledger, tratando-se exclusivamente de uma adulteração física no processo de distribuição, o que permitiu que invasores acessassem os fundos remotamente sem precisar mexer nas transações.

Impacto do ataque e medidas de segurança para a sua carteira Ledger

Estima-se que as perdas causadas pelo esquema na carteira Ledger alcancem até US$ 93,2 milhões distribuídos em mais de 300 endereços, com a Tether congelando US$ 10 milhões em stablecoins USDT vinculadas aos furtos.

O ex-CEO da Mt. Gox, Mark Karpeles, relatou ter encontrado uma adulteração semelhante em um modelo adquirido no aeroporto de Singapura, enquanto grandes varejistas como a MediaMarkt Saturn na Alemanha interromperam a comercialização dos produtos.

Diante do incidente, a fabricante declarou que está revisando rigorosamente seus controles. “Ledger is reviewing its reseller controls and anti-tamper protections”, destacou o CTO Charles Guillemet, reforçando que a investigação continua para determinar onde ocorreu a brecha na distribuição.

A CryptoBilis suspendeu as vendas, e a recomendação oficial para quem adquiriu o produto por esse canal é não inicializá-lo ou migrar os ativos imediatamente para um novo dispositivo com novas chaves de segurança geradas do zero.

Compartilhe esta notícia
Luíza Nunes
Escrito por

Luíza Nunes