A Polícia Civil de Santa Catarina apreendeu cerca de R$ 8,8 milhões em criptomoedas durante uma investigação sobre fraudes milionárias e invasões a sistemas de órgãos públicos. Segundo os responsáveis pela operação, foi a maior apreensão de ativos digitais mantidos em carteiras de autocustódia já realizada por uma polícia civil brasileira.

A apreensão ocorreu durante a Operação ClickFix, deflagrada em 10 de setembro pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DRCI/DEIC). O montante inclui Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), Tron (TRX) e Tether (USDT).

De acordo com o investigador Eduardo Graebin, responsável pela apreensão, os ativos somavam aproximadamente US$ 1,71 milhão, equivalentes a R$ 8,78 milhões pela cotação do dia da operação.

O valor inclui cerca de US$ 218 mil adicionais em criptomoedas identificados com o auxílio de ferramentas especializadas da Chainalysis.

Como a polícia recuperou R$ 8,8 milhões em criptomoedas

O principal desafio foi localizar e transferir os recursos armazenados em carteiras de autocustódia, nas quais o próprio usuário controla as chaves privadas, sem depender de uma exchange para movimentar os ativos.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais encontraram quatro seed phrases, sequências de palavras que permitem recuperar o acesso às carteiras. A equipe importou e analisou os endereços, identificou ativos distribuídos por diferentes blockchains e realizou 13 transações para transferir os recursos à custódia do Estado.

A operação contou com o suporte da Chainalysis e da exchange brasileira Foxbit. Segundo Graebin, a ferramenta Wallet Scan, da empresa de análise de blockchain, ajudou a localizar aproximadamente US$ 218 mil em ativos que poderiam não ter sido identificados por programas convencionais de gerenciamento de carteiras.

Depois de identificados, os criptoativos foram transferidos para uma conta institucional da Polícia Civil de Santa Catarina na Foxbit.

O caso evidencia uma característica das criptomoedas em redes públicas: embora a autocustódia permita movimentar ativos sem depender de intermediários, as transações registradas na blockchain podem ser analisadas com ferramentas especializadas.

Quando os investigadores também conseguem acesso às chaves necessárias, podem transferir os recursos para uma carteira sob controle das autoridades.

Investigação apura ataques cibernéticos e golpes com falsas intimações

A investigação aponta que o grupo suspeito utilizava a técnica conhecida como ClickFix para comprometer computadores. O método consiste em exibir alertas falsos de erro ou supostos problemas técnicos e induzir a vítima a copiar e executar comandos em seu próprio dispositivo.

Esses comandos podem instalar programas maliciosos capazes de roubar informações ou permitir o acesso indevido ao computador. Segundo a Polícia Civil, os investigados também enviavam falsas intimações com nomes de órgãos policiais brasileiros, incluindo a própria delegacia responsável pelo caso.

Entre os alvos estavam sistemas de forças policiais, órgãos do Poder Judiciário e empresas fornecedoras do mercado financeiro.

Além das criptomoedas, a operação envolveu 17 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão. Também foram apreendidos veículos de luxo, incluindo um Corvette avaliado em mais de R$ 1,5 milhão.

A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias até o limite de R$ 93 milhões e o sequestro de R$ 5 milhões em imóveis supostamente adquiridos com recursos ilícitos. O valor de R$ 93 milhões corresponde ao limite do bloqueio judicial, não necessariamente à quantia efetivamente bloqueada ou ao prejuízo comprovado.

A ação contou ainda com o apoio da Polícia Científica de Santa Catarina, do Ministério da Justiça e das polícias civis de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

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Luíza Nunes
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