
As liquidações de Ethereum chegaram a US$ 356 milhões em 24 horas, superando os US$ 298 milhões registrados pelo Bitcoin, mesmo com o valor de mercado do BTC sendo mais de cinco vezes maior. A pressão sobre as posições alavancadas contribuiu para uma onda de encerramentos forçados que atingiu US$ 1,19 bilhão em todo o mercado cripto.
Mais de US$ 1 bilhão desse total veio de posições compradas, conhecidas como longs, nas quais os traders apostam na alta dos preços. A maior liquidação individual foi uma posição de quase US$ 20 milhões em Ether na Hyperliquid, exchange descentralizada voltada à negociação alavancada.
A diferença fica ainda mais expressiva quando as liquidações são comparadas ao tamanho de cada ativo. Para cada US$ 1 bilhão em valor de mercado, o Ether registrou cerca de US$ 1,2 milhão em posições liquidadas, contra aproximadamente US$ 180 mil no Bitcoin — uma proporção de quase seis para um.
O movimento também apareceu nos preços. O Ether recuou mais de 3%, para cerca de US$ 2.490, enquanto o Bitcoin perdeu aproximadamente 1%. Entre outros tokens, as liquidações somaram US$ 71 milhões em posições de Solana (SOL), US$ 34 milhões em XRP e US$ 25 milhões em NEAR. Os demais ativos, juntos, responderam por cerca de US$ 119 milhões.
O que provocou as liquidações de Ethereum e Bitcoin
A queda começou na quinta-feira, quando o Bitcoin recuou de aproximadamente US$ 83.200 para mínimas próximas de US$ 80.400. A divulgação de atas do Federal Reserve indicou que a maioria dos dirigentes esperava outra alta de juros antes do fim do ano. Ao mesmo tempo, uma notícia de que o Pentágono se preparava para uma possível retomada dos combates no Irã pressionou o mercado e elevou os preços do petróleo.
As preocupações também envolveram a segurança das criptomoedas. Justin Drake, pesquisador do Ethereum, alertou que a inteligência artificial poderia comprometer a matemática usada para proteger carteiras cripto mais cedo do que o esperado.
Nos dias anteriores, traders haviam ampliado suas posições alavancadas enquanto o Bitcoin oscilava entre US$ 83 mil e US$ 87 mil. Quando o preço rompeu essa faixa para baixo, posições com margem insuficiente foram encerradas automaticamente pelas exchanges, ampliando a pressão vendedora.
Nas operações alavancadas, o trader utiliza recursos emprestados para aumentar a exposição ao mercado e precisa manter garantias suficientes para cobrir possíveis perdas. Quando essas garantias deixam de atender aos requisitos da plataforma, a posição pode ser fechada compulsoriamente. Em um mercado em queda, essas vendas podem pressionar ainda mais os preços e provocar novas liquidações.
A dinâmica, porém, mudou depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país não atacaria o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato. O Bitcoin recuperou parte das perdas e voltou para perto de US$ 82.200.
Nas quatro horas seguintes, cerca de US$ 25 milhões em posições foram liquidados, e aproximadamente 78% desse total veio de shorts, operações que apostam na queda. Apenas na última hora desse intervalo, as posições vendidas responderam por quase US$ 12 milhões de um total de US$ 13 milhões liquidados.
O movimento ocorre às vésperas do aniversário de 10 de outubro de 2025, quando uma onda de liquidações eliminou cerca de US$ 19 bilhões em posições em um único dia — aproximadamente 16 vezes o total registrado na quinta-feira. O Bitcoin permanece cerca de US$ 800 abaixo dos US$ 83 mil, nível em que começou a pressão vendedora naquele dia.








