
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) acumula atualmente cerca de R$ 47 milhões em criptomoedas apreendidas. Esse valor é resultado direto de operações focadas no combate a crimes cibernéticos realizadas desde 2024.
A informação foi detalhada pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. O balanço foi apresentado durante uma reunião do Conselho Superior da instituição e publicado oficialmente no final de setembro.
Com o aumento constante das criptomoedas apreendidas, as autoridades brasileiras enfrentam um novo desafio operacional. As equipes de investigação precisam entender como transferir, proteger e, no futuro, dar uma destinação legal a esse patrimônio.
Diferente do dinheiro custodiado em bancos tradicionais, os ativos digitais dependem exclusivamente de chaves privadas. Para evitar a perda ou a transferência irreversível dos fundos, o MPSP armazena essas informações de acesso em estruturas controladas internamente.
Para otimizar esse processo, o Ministério Público paulista firmou parcerias recentes com a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) e com a empresa de análise de blockchain Chainalysis. O foco principal é treinar os agentes para rastrear o caminho dos ativos em redes públicas, como Bitcoin e Ethereum.
O futuro da gestão de criptomoedas apreendidas no Brasil
A necessidade de gerenciar as criptomoedas apreendidas também movimenta a esfera federal. Instituições como o Ministério da Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) lançaram capacitações para orientar juízes e forças de segurança sobre o bloqueio e a custódia desses ativos virtuais.
Existe um projeto em andamento para estruturar, até 2027, uma integração tecnológica entre o Ministério Público e empresas do setor cripto. O objetivo é criar módulos governamentais específicos para guardar e liquidar os ativos digitais recuperados do crime organizado.
O uso de ferramentas avançadas de análise permite que os investigadores liguem endereços digitais aparentemente anônimos a pessoas reais e contas em corretoras. Segundo a Chainalysis, redes de lavagem de dinheiro e grupos criminosos concentraram a maior parte dos fluxos ilícitos em exchanges brasileiras analisadas ao longo de 2025.
Em casos práticos, como a Operação Criptonita deflagrada em São Paulo contra uma quadrilha de extorsão, a tecnologia provou sua importância. A tônica atual das autoridades é conseguir o congelamento rápido das criptomoedas apreendidas nas próprias plataformas, impedindo que os criminosos enviem os recursos para carteiras no exterior.







