Ciclo dos ETFs de Bitcoin ganha paralelo histórico com a trajetória do ouro

Ciclo dos ETFs de Bitcoin ganha paralelo histórico com a trajetória do ouro

Os ETFs de Bitcoin podem estar seguindo o mesmo caminho de altos e baixos observado historicamente no mercado de ouro. A análise indica que os ganhos explosivos iniciais podem abrir espaço para correções severas e longos períodos de estagnação.

Segundo Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg, ambos os ativos funcionam como instrumentos para reservas de valor que não geram fluxo de caixa ou dividendos. Por isso, o desempenho depende totalmente do sentimento dos investidores, e não de lucros corporativos ou suporte governamental.

O paralelo histórico entre o ouro e os ETFs de Bitcoin

Balchunas apontou em sua conta nas redes sociais que a oferta limitada de Bitcoin e ouro impulsiona explosões de preços quando a demanda dispara. No entanto, esse interesse costuma vir em ondas imprevisíveis, em vez de apresentar um crescimento constante.

Atualmente, o IBIT, fundo de bitcoin à vista da BlackRock e o maior do mundo, gerencia cerca de US$ 60 bilhões em ativos. O valor recuou consideravelmente desde outubro, quando o bitcoin bateu seu recorde histórico e o fundo superou brevemente a marca de US$ 100 bilhões por apenas algumas horas.

O especialista traçou um paralelo entre o cenário atual e a disparada do SPDR Gold Trust (GLD) em 2011. Na época, o principal ETF de ouro superou temporariamente o SPY e se tornou o maior fundo do mundo, para depois enfrentar oito anos de estagnação antes de recuperar seu topo anterior.

Apesar do alerta de calmaria no curto e médio prazo para os ETFs de Bitcoin, o analista trouxe um dado que pode tranquilizar o mercado. O histórico do GLD, que estreou na bolsa em 2004, mostra que cada novo ciclo de alta dos fundos de ouro estabeleceu recordes financeiros ainda maiores que os anteriores.

O recuo no patrimônio do IBIT acompanha a própria cotação do Bitcoin, negociado próximo de US$ 63.000 na última sexta-feira. O preço representa uma desvalorização de aproximadamente 30% no ano e de 50% em relação ao topo de outubro. O ouro também recuou em 2026, cotado a US$ 4.000 a onça, exibindo uma queda de 7% no ano, mas acumulando alta de 19% nos últimos 12 meses.

Esse movimento de retração impactou os negócios da BlackRock, cujo patrimônio sob gestão em criptoativos despencou 40% em termos anuais no segundo trimestre, caindo de US$ 80 bilhões para US$ 49 bilhões.

Apesar disso, os ETFs de Bitcoin e Ether registraram entradas líquidas semanais positivas na última semana, interrompendo uma sequência de saídas que vinha desde maio.