O relatório do mercado de trabalho dos Estados Unidos veio bem abaixo das expectativas dos economistas e impulsionou o preço do Bitcoin em direção ao topo de sua faixa anual. Com a criação de apenas 29 mil vagas em setembro — frente às 84 mil esperadas, as chances de um novo aumento nas taxas de juros em outubro caíram drasticamente.

Dados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics mostraram ainda que os dois meses anteriores sofreram uma revisão para baixo de 60 mil postos de trabalho, enquanto a taxa de desemprego subiu para 4,2%. Diante desse cenário econômico mais fraco, Wall Street interpretou que a pressão para elevar os juros diminuiu, beneficiando ativos de risco.

Após a divulgação do relatório, a cotação da criptomoeda subiu fortemente no início do mês conhecido no mercado como “Uptober”. O movimento ocorre poucas semanas depois de o Federal Reserve ter elevado a taxa básica em 0,25 ponto percentual no dia 16 de setembro, em votação unânime, fixando o intervalo entre 3,75% e 4,00%. Apesar daquela alta de juros — a primeira desde 2023, o setor absorveu o impacto de forma positiva.

Indicadores técnicos sustentam o preço do Bitcoin perto da resistência

Declarações recentes de membros do banco central norte-americano também ajudaram a acalmar os investidores. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou na terça-feira que não havia “nenhuma necessidade de urgência”, enquanto o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, declarou na quinta-feira que os formuladores de políticas “podem precisar de mais tempo antes de decidir se devem aumentar as taxas novamente”.

Com esses posicionamentos, as probabilidades apontadas pelo CME FedWatch para um aumento na reunião de outubro despencaram de 70% para 14%. Mercados de previsão como Kalshi, Polymarket e Myriad indicam 80% de chance de manutenção das taxas em 28 de outubro.

Esse alívio elevou a capitalização total do setor acima dos US$ 3 trilhões (alta de 2,5% em 24 horas), com entradas de US$ 102 milhões em ETFs no dia, dominância do Bitcoin em 59,1% e o índice de Medo e Ganância marcando 71 pontos (“ganância”).

No momento, o preço do Bitcoin é negociado a US$ 84.800, registrando valorização diária de 1,57%. O ativo abriu o dia em US$ 84.824,05 e atingiu a máxima de US$ 87.173,15, encostando na resistência anual de US$ 87.354,33 estabelecida em setembro. A mínima diária foi de US$ 84.492,18, mantendo a consolidação após o movimento de alta de 16,5% iniciado no fundo recente de US$ 74.977,57.

No gráfico técnico, o Índice Direcional Médio (ADX) marca 41,8, confirmando uma forte tendência de alta com a linha de compradores (DI+) acima da de vendedores (DI-). Além disso, a Média Móvel Exponencial (EMA) de 50 dias permanece acima da EMA de 200 dias, e a nuvem sombreada abaixo do preço se mantém verde desde meados de agosto, atuando como suporte.

O indicador Squeeze Momentum aponta volatilidade liberada para cima, com leitura positiva de 2,2 e o preço situado na faixa de 78,4% das bandas. No entanto, o Índice de Força Relativa (RSI) alcançou 68,1 pontos, aproximando-se do nível de 70 onde costuma ocorrer realização de lucros por parte dos traders.

Apesar da estrutura gráfica favorável aos compradores, o cenário exige cautela. O mercado ainda trabalha com a possibilidade de um aumento de juros em dezembro e os rendimentos dos títulos seguem elevados.

Para confirmar o rompimento, os investidores buscam um fechamento diário acima de US$ 87.354,33 antes do próximo teste macroeconômico na reunião do Fed em 28 de outubro.

Compartilhe esta notícia
Luíza Nunes
Escrito por

Luíza Nunes