A Cardano está sendo testada pela Petrobras em dois projetos de pesquisa voltados ao rastreamento de combustíveis com menor impacto ambiental. A ideia é usar a blockchain para registrar informações sobre combustível sustentável de aviação e sobre o Diesel R, produzido parcialmente com matérias-primas renováveis.

Os projetos foram anunciados pela Cardano Foundation e envolvem dois problemas diferentes. Um busca controlar os benefícios ambientais associados ao combustível sustentável de aviação. O outro pretende acompanhar a trajetória do diesel renovável desde a produção até o uso.

No primeiro caso, o foco está no chamado modelo “book-and-claim”. Nele, uma companhia aérea pode pagar pelo benefício ambiental associado a um combustível sustentável mesmo quando o combustível físico é utilizado em outro local.

Esse modelo exige um registro confiável de quem possui o benefício e em que momento ele foi utilizado. Sem esse controle, o mesmo resultado de redução de emissões poderia ser contabilizado por mais de uma empresa.

Como a Cardano entra nos projetos da Petrobras

A aplicação testada pela Petrobras usa a Cardano para registrar a origem de cada benefício ambiental, quem o recebeu e quando ele foi utilizado. A proposta é criar uma trilha de registros que permita verificar a procedência de cada crédito e evitar a dupla contagem.

Na prática, uma pessoa poderia informar os aeroportos de partida e destino de um voo, calcular o benefício de combustível correspondente e receber um certificado vinculado ao certificado original do combustível.

O segundo projeto envolve o Diesel R, produto da Petrobras que utiliza parcialmente materiais renováveis, como óleos vegetais ou gorduras animais. Nesse caso, a proposta é registrar informações de diferentes etapas, incluindo produção, transporte e uso.

A Petrobras poderia reunir esses registros em um histórico da trajetória do combustível. A estrutura também pode ajudar empresas a reportar emissões de Escopo 3, que abrangem impactos indiretos associados a fornecedores e clientes e dependem, em muitos casos, de informações mantidas por outras companhias.

Frederik Gregaard, CEO da Cardano Foundation, afirmou que o Brasil vem demonstrando adoção consistente da tecnologia, citando iniciativas que passam pelo governo e pela indústria. “It’s great to see Petrobras, one of the largest firms in the region, continue to see value in on-chain provenance and traceability”, disse Gregaard à CoinDesk.

Apesar do anúncio, os dois projetos ainda estão em fase de pesquisa. O modelo relacionado ao diesel é descrito como uma proposta, e não foram divulgados nem os volumes de combustível envolvidos nem um cronograma para uma adoção mais ampla.

A iniciativa ocorre no mesmo mês em que a Cardano passou a fazer parte do x402, um padrão de pagamentos criado para permitir que aplicativos e agentes de inteligência artificial paguem por dados ou serviços de computação conforme utilizam esses recursos.

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Luíza Nunes
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