A Open Standard lançou sua stablecoin em dólar, a Open USD (OUSD), com uma proposta diferente da adotada pelos principais emissores do mercado. A empresa quer distribuir parte da economia e da participação societária da companhia entre os parceiros que ajudarem a ampliar o uso do ativo.

O Open USD entrou em operação na quarta-feira nas redes Ethereum, Solana, Base, da Coinbase, e Tempo, blockchain apoiada pela Stripe. O lançamento acontece em um mercado de stablecoins que já supera US$ 300 bilhões e continua concentrado principalmente em USDT, da Tether, e USDC, da Circle.

Segundo dados apresentados no lançamento, o USDT tinha cerca de US$ 143 bilhões em circulação, enquanto o USDC estava próximo de US$ 74 bilhões. Com bancos, empresas de pagamentos e fintechs entrando no setor, a disputa começa a envolver não apenas a emissão de um dólar digital, mas também liquidez, distribuição e os ambientes onde esses ativos são usados.

Para Zach Abrams, CEO da Open Standard, a proposta é fazer da stablecoin uma infraestrutura financeira usada nos bastidores, em vez de apenas mais um ativo digital. “Every other stablecoin is building a fund. We’re building money”, disse o executivo.

Como o Open USD pretende competir com Tether e Circle

A Open Standard foi apresentada inicialmente em junho com mais de 140 parceiros dos setores financeiro, tecnológico e cripto. Desde então, a rede cresceu para mais de 200 empresas, incluindo nomes como SBI Holdings, UBS e Jeeves.

O grupo de fundadores, no entanto, é bem menor. Coinbase, Mastercard, Shopify, Stripe e Visa fizeram os primeiros investimentos e receberam participações iniciais iguais na empresa. Juntos, os cinco parceiros se comprometeram a disponibilizar mais de US$ 1 bilhão para estabelecer liquidez do OUSD nos próximos meses.

A estrutura não prevê que centenas de empresas tomem decisões em conjunto. A gestão da Open Standard continuará responsável pela operação, enquanto um grupo reduzido de parceiros fundadores terá participação na governança e na propriedade da companhia.

O modelo também muda a forma como a empresa pretende distribuir o valor criado pela expansão da stablecoin. Uma parcela majoritária do capital da Open Standard deverá ser distribuída ao longo dos próximos quatro a cinco anos com base na contribuição dos parceiros para o crescimento da rede.

A quantidade de OUSD gerada não será o único critério. A atividade de transações também poderá influenciar a participação recebida pelos parceiros que atingirem um determinado nível mínimo de contribuição. A empresa não revelou qual será esse limite.

O foco inicial está em aplicações como pagamentos internacionais, liquidação de cartões, câmbio, negociação institucional e crédito. A ideia é usar o Open USD em operações nas quais empresas movimentam grandes volumes de dólares e precisam transferir recursos entre diferentes sistemas financeiros.

Outra diferença está nas tarifas. A Open Standard pretende eliminar taxas de emissão e resgate do OUSD, algo que pode reduzir custos para empresas que entram e saem da stablecoin com frequência.

Dan Romero, diretor de negócios da Tempo, afirmou que a blockchain pretende se tornar um dos principais centros de liquidez do OUSD. Segundo ele, o objetivo é chegar a aproximadamente US$ 1 bilhão em OUSD na Tempo nos próximos meses, superar US$ 10 bilhões durante 2027 e, potencialmente, ultrapassar US$ 100 bilhões nos anos seguintes.

A estratégia da Open Standard também não deve ficar limitada ao dólar. Abrams disse que a empresa já observa demanda da rede por stablecoins denominadas em outras moedas, indicando que o OUSD pode ser apenas o primeiro ativo de uma estrutura mais ampla.

A companhia projeta uma ambição ainda maior para os próximos anos: transformar sua infraestrutura em uma camada utilizada para movimentar centenas de trilhões de dólares por ano à medida que as stablecoins ganhem espaço nos sistemas financeiros tradicionais.

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Luíza Nunes
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