
O CME Group, maior mercado de derivativos do mundo, anunciou uma nova frente institucional com o uso de dinheiro tokenizado. A iniciativa, desenvolvida ao lado do BMO e do Google Cloud, busca resolver uma das maiores ineficiências operacionais das grandes instituições.
A ideia central é eliminar a lentidão dos horários bancários tradicionais. Hoje, bancos e fundos precisam deixar grandes quantias de capital paradas para garantir liquidações e chamadas de margem que ficam aguardando o próximo dia útil.
Ao rodar na infraestrutura Google Cloud Universal Ledger (GCUL), as transferências institucionais de margem e colateral passam a ocorrer em tempo real. O dinheiro tokenizado garante que esses recursos vitais circulem 24 horas por dia, de forma contínua.
Giovanni Vicioso, head global de produtos de criptomoedas do CME Group, explica o ganho operacional. “Vamos permitir que nossos clientes cumpram exigências de margem e obrigações de liquidação em tempo real, liberando capital que, de outra forma, teria de esperar pelos ciclos bancários tradicionais”, afirmou.
Como o dinheiro tokenizado transforma as operações do mercado
O projeto permite que os clientes institucionais convertam dólares em instrumentos digitais operáveis. O banco BMO entrou na parceria como o primeiro a oferecer essa liquidação digitalizada, com a estreia oficial no mercado prevista para o segundo semestre de 2026, sujeita a aprovações regulatórias.
Essa flexibilidade operacional é estratégica para o CME Group, já que seus próprios mercados estão operando por mais tempo. Em maio, os derivativos de criptomoedas do grupo adotaram o modelo de negociação contínua de sete dias por semana. No primeiro fim de semana dessa modalidade, o volume superou US$ 50 milhões.
Apesar da infraestrutura pronta para escalar, Vicioso destaca que a incerteza legal ainda dita o ritmo de adoção. O executivo avalia que a maior clareza regulatória nos Estados Unidos será o principal motor para atrair mais capital institucional de forma segura.
O movimento do CME reforça uma tendência clara de união entre finanças tradicionais (TradFi) e digitais (DeFi). A prioridade agora vai além de lançar novos ativos de investimento, buscando usar a tecnologia blockchain para tornar toda a base do sistema financeiro mais rápida e eficiente.







