O próximo ciclo de crescimento em tecnologia pode depender de agentes de IA e blockchain

O próximo ciclo de crescimento em tecnologia pode depender de agentes de IA e blockchain

Os investimentos no setor de inteligência artificial podem estar prestes a migrar dos fabricantes de chips e provedores de nuvem para uma nova infraestrutura. A integração entre agentes de IA e blockchain surge como a próxima tese promissora, impulsionada pelo avanço do comércio autônomo entre máquinas.

Sandy Kaul, diretora de ativos digitais e inovação da Franklin Templeton, aponta que o mercado tem focado fortemente em semicondutores e centros de dados. Contudo, a executiva destaca que os investidores estão ignorando a infraestrutura necessária para viabilizar o comércio direto entre sistemas autônomos.

Diferente das ferramentas generativas comuns, os agentes de IA são projetados para executar tarefas complexas com pouca intervenção humana, como reservar viagens, comparar preços, adquirir capacidade computacional e gerenciar fluxos de software. Plataformas como Robinhood, OpenAI e Anthropic já aceleram o desenvolvimento dessas capacidades.

O papel das redes descentralizadas nos agentes de IA e blockchain

O grande entrave atual está nos pagamentos: transações entre robôs costumam envolver frações de centavos para pagar chamadas de API, acesso a dados ou segundos de processamento. As redes bancárias e de cartão tradicionais tornam-se inviáveis quando as taxas cobradas superam o próprio valor transferido.

É nesse cenário que a tecnologia de registro distribuído ganha força. As redes públicas oferecem liquidação quase instantânea, transações programáveis e identidade criptográfica. Com isso, os sistemas inteligentes podem manter ativos digitais e realizar pagamentos diretos entre si.

Caso essa dinâmica ganhe escala, a demanda por criptomoedas nativas tende a crescer, uma vez que os agentes virtuais precisam desses tokens para pagar as taxas de rede. Essa movimentação contínua gera mais receita para a segurança do ecossistema, incentivo a desenvolvedores e aplicações descentralizadas.

Essa perspectiva se alinha ao debate apresentado por Jeremy Allaire, CEO da Circle. O executivo argumenta que a união de agentes de IA e blockchain representa uma transformação tecnológica única, capaz de reduzir drasticamente os custos do trabalho de conhecimento e das liquidações financeiras.

Allaire projeta que empresas focadas em IA operarão diretamente na rede, com tokens representando propriedade e governança, enquanto o modelo de cobrança migra de assinaturas mensais para pagamentos por tarefa. Para investidores, as criptomoedas que sustentam essa rede surgem como uma nova via de exposição ao crescimento da inteligência artificial.