O Ethereum pode deixar de ser visto simplesmente como uma blockchain nos próximos anos. Em um texto publicado neste domingo, o cofundador Vitalik Buterin detalhou como a rede deve mudar até 2030, com foco em criptografia avançada, privacidade, verificação de software e resistência a ataques quânticos.

Ao compartilhar o artigo nas redes sociais, Buterin resumiu a transformação com uma frase direta: “It’s really not just a blockchain anymore”. Segundo ele, o Ethereum do futuro será uma arquitetura híbrida que combina blockchain com criptografia moderna para oferecer propriedades mais avançadas.

No texto, chamado de “The cryptographic world computer”, Buterin descreveu o que está planejado para o Ethereum a partir do fork que virá depois do Hegota. A atualização, prevista para o próximo ano, pode ser a última “normal” antes de uma nova fase tecnológica para a rede.

Ethereum entra em uma nova fase depois do Hegota

De acordo com Buterin, os upgrades posteriores ao Hegota deverão envolver STARKs recursivos, verificação formal automatizada, algoritmos de consenso mais eficientes e criptografia preparada para ataques de computadores quânticos.

STARKs são provas criptográficas usadas para demonstrar que uma computação foi executada corretamente. Em sua versão recursiva, elas também conseguem provar a validade de outras provas. Já a verificação formal automatizada usa demonstrações matemáticas para conferir se um código funciona conforme projetado.

A chamada criptografia pós-quântica, por sua vez, busca proteger os sistemas contra possíveis ataques realizados por computadores quânticos no futuro.

O caminho começa antes disso. O upgrade Glamsterdam, que antecede o Hegota, é esperado para o quarto trimestre de 2026. A atualização havia sido inicialmente projetada para o primeiro semestre do ano.

Buterin também comparou a evolução do Ethereum ao whitepaper do Bitcoin, mostrando como algumas premissas presentes no documento original já foram alteradas ou devem mudar ainda mais até 2030.

Entre as mudanças está a forma como os nós verificam dados. Em vez de baixar e reexecutar cada bloco, a proposta é que eles possam fazer amostragem dos dados por meio do PeerDAS e verificar uma prova SNARK, reduzindo a necessidade de processar toda a informação diretamente.

O Ethereum também deve avançar na agregação de assinaturas. Segundo Buterin, elas poderão ser reunidas fora da rede, deixando apenas uma assinatura registrada on-chain por bloco.

Ethereum deve ganhar mais privacidade e velocidade

Outra mudança envolve a construção dos blocos. Buterin afirmou que a hipótese do whitepaper do Bitcoin de que uma única participante produz cada bloco já está bastante distante da realidade no Ethereum.

O mecanismo FOCIL, previsto para o Hegota, permite que múltiplos validadores obriguem transações válidas a serem incluídas nos blocos. A ideia amplia a participação de diferentes atores na construção dos blocos.

Na privacidade, Buterin destacou que protocolos baseados em ZK-SNARKs já rompem com a exigência de que todas as transações sejam anunciadas publicamente. Ele espera que FOCIL e a proposta EIP-8288 tornem esse tipo de transação mais integrado à arquitetura da rede.

Até 2030, Buterin projeta slots de 4 a 8 segundos e finalização entre 8 e 32 segundos. Ainda assim, ele afirmou que “Ethereum itself will never have latency that competes with servers, but infrastructure built around it could”.

O cofundador também vê uma possibilidade diferente para a descentralização. Segundo ele, em alguns casos, a própria estrutura distribuída da rede pode contribuir para desempenho, ao permitir que grandes volumes de dados e computação sejam processados em paralelo e, em determinadas situações, ajudar na proteção de metadados.

Um dos desafios ainda abertos está no gerenciamento e na paralelização do acesso ao estado do Ethereum, que reúne os saldos das contas e os dados dos contratos inteligentes. Para Buterin, esse problema pode ser mais difícil de resolver do que tornar as provas de conhecimento zero eficientes e seguras.

Na visão apresentada, o Ethereum ainda poderia passar por outra grande transformação caso a indistinguibilidade obfuscation, técnica que permite executar um programa sem revelar seu código, se torne prática. Buterin chamou essa tecnologia de “final boss” da criptografia em junho, mas afirmou que as mudanças discutidas em seu novo texto devem acontecer muito antes disso.

No mercado, o ETH era negociado perto de US$ 2.700 neste domingo, praticamente estável nas últimas 24 horas, segundo a página de preço do Ethereum do TradingView.

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Luíza Nunes
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