
Os fundos negociados em bolsa, os chamados ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos, registraram captação líquida de US$ 2,39 bilhões nesta semana. Este é o maior volume semanal documentado em 2026.
Esses fundos permitem exposição direta ao ativo financeiro, mantendo a criptomoeda em custódia para os investidores. No entanto, uma análise dos fluxos diários e dos dados de negociação sugere que o ritmo de compras é menor do que o recorde semanal aparenta.
De acordo com a plataforma SoSoValue, a semana começou com força, registrando entradas de US$ 998,95 milhões na segunda-feira, 21 de setembro. Nos dias seguintes, o volume caiu progressivamente, chegando a US$ 134,47 milhões na sexta-feira. Isso representa um recuo de cerca de 87%, embora o capital tenha continuado a entrar nos fundos pelo sétimo dia consecutivo.
O salto inicial ocorreu após o Bitcoin subir 6,7%, impulsionado pelo fechamento forçado de aproximadamente US$ 262 milhões em posições vendidas no mercado futuro. Além disso, o cenário reagiu ao ajuste da taxa de juros pelo Federal Reserve para a faixa de 3,75% a 4% no dia 16 de setembro.
A dinâmica mudou em 23 de setembro. Dados da S&P Global apontaram o crescimento econômico mais rápido nos EUA desde julho de 2021, e o rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos superou a marca de 5%. Como resultado, o Bitcoin recuou rapidamente para menos de US$ 84.000. Atualmente, a moeda é negociada perto de US$ 84.241, com os ETFs de Bitcoin acumulando US$ 108,42 bilhões em ativos totais.
O rali dos ETFs de Bitcoin é impulsionado por demanda ou falta de oferta?
Apesar da desaceleração diária nos fundos institucionais, existem sinais práticos de atividade de compra. Dados da CryptoQuant mostram que cerca de US$ 2,52 bilhões em Bitcoin saíram das principais corretoras entre 22 e 24 de setembro, um movimento geralmente associado ao armazenamento de longo prazo.
Grandes investidores também seguem acumulando ativos. Carteiras com saldo entre 100 e 1.000 moedas adicionaram 113.950 BTC desde meados de julho, segundo informações da plataforma Santiment.
Por outro lado, a empresa de serviços financeiros River apresenta uma leitura analítica diferente do mercado. A companhia aponta que 81% da oferta total de Bitcoin não se moveu nos últimos seis meses, enquanto o volume de negociação nas corretoras está 30% menor do que no início do ano.
Em setembro, os ETFs de Bitcoin adquiriram apenas cerca de 18.000 moedas, um ritmo que fica abaixo da média mensal histórica desde o lançamento dos produtos. “O Bitcoin subiu 50% sem um aumento real na demanda”, destacou a equipe da River em seu relatório.
Para a empresa, a valorização recente ocorre muito mais pela escassez de moedas disponíveis para venda do que pela entrada expressiva de novos compradores.
O próximo grande teste para a liquidez do mercado acontece em 30 de setembro, com a divulgação do relatório de inflação PCE de agosto, o indicador macroeconômico preferido do Fed. Economistas preveem que uma mudança na metodologia de medição puxe os números da inflação para baixo, o que pode ditar os próximos rumos do capital institucional.








