Pesquisadores da [[alloc] init] publicaram um projeto de Bitcoin privado que pretende esconder quem enviou, quem recebeu e qual foi o valor de uma transferência, usando a própria rede principal do Bitcoin.

O estudo, de 56 páginas e datado de 24 de setembro de 2026, foi escrito por Clara Shikhelman, Mikhail Komarov e Aleksei Moskvin. A proposta é inspirada no modelo de privacidade do Zcash, mas foi desenhada para funcionar sobre o Bitcoin sem modificar seu funcionamento básico.

Segundo os pesquisadores, o projeto chamado ‘Shielded Bitcoin’ usa provas de conhecimento zero para demonstrar que o usuário tem direito de gastar determinados valores e que os valores de entrada e saída de uma operação estão equilibrados.

Os Bitcoins ficam representados no sistema como “notas” criptografadas. Um marcador público chamado nullifier permite impedir que a mesma nota seja gasta duas vezes sem revelar qual delas foi utilizada.

Como funciona o projeto proposto

A principal diferença para o Bitcoin convencional está no tratamento dessas informações. Na proposta de Bitcoin privado, as transferências são publicadas como dados na rede, mas o próprio Bitcoin não verifica os cálculos criptográficos envolvidos.

Essa função fica com softwares externos chamados indexadores, responsáveis por verificar as provas e reconstruir o estado das transações protegidas.

O artigo também diferencia a proposta do Shielded CSV, um projeto de Bitcoin apresentado em 2025 no qual os próprios usuários precisam manter os dados das transações. Nesse modelo, informações podem não ser recuperáveis diretamente a partir da blockchain.

A privacidade, porém, não é total. O momento da operação, as taxas e a quantidade de entradas e saídas continuam públicos.

Os autores resumem essa limitação ao dizer que, assim como em Zcash e Monero, o sistema preserva a privacidade sobre quem pagou quem e quanto foi pago, mas não esconde o fato de que uma transferência protegida ocorreu.

Bitcoin privado ainda não resolve entrada e saída de BTC

O projeto publicado pela [[alloc] init] trata apenas das transferências realizadas dentro do sistema. A forma como o bitcoin entra e sai desse ambiente, conhecida como peg-in e peg-out, ficará para um trabalho separado.

Essa segunda etapa será baseada no Bitcoin PIPEs v2, uma pesquisa anterior da própria equipe que usa uma chave de assinatura do Bitcoin criptografada e permite recuperá-la somente quando uma prova válida é apresentada.

A versão atual do Shielded Bitcoin utiliza o sistema de provas Groth16, cuja segurança depende de uma cerimônia de configuração confiável conduzida de forma correta.

Cada transferência também é publicada em uma saída OP_RETURN. Segundo o estudo, uma operação com duas entradas e duas saídas ocupa cerca de 625 vbytes.

A proposta depende ainda do limite maior para OP_RETURN adotado no Bitcoin Core v30. Como essa mudança pode ser revertida por operadores de nós, o funcionamento da transmissão das operações dependeria de uma adesão suficiente entre nós e mineradores.

O documento inclui ainda um modelo opcional de conformidade. Nele, uma “Trust Authority” poderia certificar depósitos aprovados, permitindo que instituições verificassem a origem de uma nota sem acessar todo o histórico de transferências. Notas sem essa certificação continuariam válidas.

A publicação surge em um momento de maior atenção ao próprio Zcash, cuja arquitetura de privacidade serviu de referência para o projeto. Nos Estados Unidos, o Grayscale Zcash ETF começou a ser negociado na NYSE Arca em 25 de agosto, enquanto a 21Shares listou o primeiro produto negociado em bolsa de Zcash da Europa na Euronext Paris e Amsterdam em 22 de setembro.

Em 25 de setembro, o ZEC era negociado a US$ 1.592, com alta de 4% nas 24 horas anteriores e máxima de sete dias de US$ 1.658,86, segundo dados da CoinGecko.

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Luíza Nunes
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