A Tether está preparando o terreno para o retorno do USDT no Bitcoin. O CEO da Utexo, Viktor Ihnatiuk, revelou um encontro recente com representantes do Morgan Stanley em Washington. O objetivo da reunião foi discutir a adoção global e europeia da stablecoin operando diretamente na rede principal da criptomoeda.

O movimento foi celebrado por Paolo Ardoino, CEO da Tether. Em publicação no X, ele afirmou que o ativo está “voltando para casa”. A stablecoin foi lançada originalmente em 2014 usando o Omni Layer, um protocolo do próprio ecossistema do Bitcoin, antes de migrar sua liquidez para redes como Ethereum e Tron. O suporte ao formato Omni foi encerrado em 2023.

A infraestrutura para essa nova retomada do USDT no Bitcoin é desenvolvida pela Utexo. A empresa cria soluções que permitem a carteiras, corretoras e provedores de custódia movimentar a stablecoin usando a velocidade da Lightning Network.

O sistema funciona baseado no RGB, um protocolo que emite os ativos mantendo os dados das transações fora da cadeia principal.

O que falta para os usuários acessarem o USDT no Bitcoin?

O projeto já conta com apoio financeiro pesado do mercado tradicional e cripto. A Tether liderou uma rodada de investimentos de US$ 7,5 milhões na Utexo, acompanhada por nomes como Franklin Templeton, Big Brain Holdings e Portal Ventures. Recentemente, o módulo de transações da Utexo foi integrado ao kit de desenvolvimento de carteiras (WDK) da própria Tether.

Apesar dos avanços técnicos de infraestrutura, o produto final ainda não está disponível para o público geral. A Utexo definiu a UniSat, uma carteira altamente popular por suportar tokens e Ordinals, como sua próxima parceira oficial de lançamento. A plataforma atende mais de 1 milhão de usuários ativos por semana, mas nenhuma das empresas divulgou uma data de estreia.

Quando os planos para o uso do protocolo RGB foram revelados no ano passado, Ardoino destacou o foco em melhorias de rede. Em sua visão, “o Bitcoin merece uma stablecoin que pareça verdadeiramente nativa, leve, privada e escalável”. O executivo reforçou a estratégia de usar redes consolidadas, descartando totalmente a criação de uma blockchain própria para a Tether.

A expansão comercial do USDT, no entanto, ainda deve enfrentar barreiras regulatórias na Europa. A Tether recusou regras específicas de depósito bancário estabelecidas pela recente legislação MiCA, o que acabou limitando o alcance operacional da stablecoin no bloco europeu.

Como o Morgan Stanley não anunciou uma parceria formal e pública até o momento, a integração com os usuários da UniSat servirá como o primeiro teste real da demanda do varejo pelo ativo rodando nativamente na rede do Bitcoin.

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Luíza Nunes
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