
A gestora ARK Invest, comandada por Cathie Wood, anunciou a integração de seu portfólio de capital de risco à tecnologia blockchain. O ARK Venture Fund passará a emitir participações em formato de token na rede Ethereum.
A iniciativa é resultado de uma parceria com a Securitize, empresa que ficará responsável pela emissão onchain e por toda a experiência do investidor. Outras redes além do Ethereum podem ser integradas no futuro.
Esse movimento permite que investidores tenham exposição direta a empresas de tecnologia de capital fechado. O portfólio do fundo inclui participações em nomes disputados pelo mercado, como OpenAI, Anthropic, Stripe e Databricks.
Cathie Wood, fundadora e CEO da gestora, explicou a estratégia em um comunicado oficial. “Disponibilizar o ARK Venture Fund onchain é uma extensão natural de nossa missão de democratizar o acesso à inovação disruptiva habilitada pela tecnologia”, afirmou a executiva.
Para Carlos Domingo, CEO da Securitize, o principal atrativo é oferecer diversificação em um setor de alta concorrência. “Se você não sabe se a OpenAI ou a Anthropic vão vencer a corrida da IA, aqui você obtém ambas em um pool diversificado”, disse Domingo à CoinDesk TV.
Como funciona a estrutura do ARK Venture Fund
O fundo opera com gestão ativa, alocando recursos tanto em empresas públicas quanto privadas. A tokenização, no entanto, não transfere as ações individuais dessas companhias diretamente para a blockchain.
Na prática, o investidor recebe uma representação digital que comprova a sua cota no fundo. “Os ativos subjacentes continuarão privados, mas o investimento dos usuários finais será líquido”, detalhou o CEO da Securitize.
Para garantir o funcionamento do sistema, a Securitize planeja fornecer o valor patrimonial líquido (NAV) diariamente. A empresa também habilitará a negociação dessas cotas em mercados secundários baseados em blockchain.
A digitalização do fundo acompanha uma tendência de Wall Street. Gestoras tradicionais, como BlackRock e Franklin Templeton, já testaram a tecnologia com títulos do Tesouro dos EUA e produtos de mercado monetário. Agora, o foco se expande para ações e capital privado.
O cenário regulatório nos Estados Unidos também começa a apresentar movimentos mais claros. Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) anunciou uma isenção de cinco anos para permitir que ações tokenizadas sejam negociadas em plataformas onchain específicas.
A expectativa institucional sobre essa tecnologia é alta. Projeções de analistas do Citi indicam que o mercado global de títulos tokenizados pode alcançar a marca de US$ 5,5 trilhões até o ano de 2030.








