
Análises recentes de dados públicos revelaram que transações com valores financeiros padronizados responderam por mais da metade da atividade nos contratos futuros de Ether e Bitcoin da Kalshi. A constatação levantou debates sobre como o volume de criptomoedas é estruturado no mercado derivativo.
No mercado de Ether, transações com valor fixo próximo a US$ 5.499 somaram US$ 7,7 milhões entre 17 e 20 de setembro. O montante representou 57% dos US$ 13,5 milhões em movimentações analisados no período. No Bitcoin, duas faixas recorrentes de US$ 2.500 e US$ 5.000 corresponderam a 54% dos US$ 8,5 milhões amostrados.
O volume de negociação é um indicador central para investidores avaliarem a liquidez de um ativo e sua capacidade de absorver ordens sem grandes oscilações de preço. Quando uma parcela expressiva do fluxo decorre de ordens com montantes idênticos, torna-se relevante identificar a origem dessa dinâmica.
O comportamento foi identificado ao longo de meses. À medida que a cotação do ether variava entre US$ 1.700 e US$ 2.500, a quantidade de contratos envolvidos por ordem mudava para manter o valor em dólares praticamente inalterado. Essa oscilação é característica de algoritmos de execução automatizada operando sob metas financeiras predefinidas.
No mercado de bitcoin, a movimentação seguiu padrão similar. As ordens maiores mantiveram o dobro do tamanho das menores em quase metade das amostras avaliadas, variando o número de contratos de acordo com o preço do ativo na cotação do momento.
Como a Kalshi justifica o volume de criptomoedas
Em resposta aos dados, a Kalshi informou em seu blog corporativo que as operações recorrentes são originadas por um formador de mercado (market maker). A instituição atua por meio de um programa institucional que concede remuneração fixa mensal para a manutenção de ordens de compra e venda dentro de parâmetros específicos.
A bolsa norte-americana, regulada pela CFTC, ressaltou que centenas de negociadores independentes atuaram na ponta oposta dessas ofertas. A plataforma reforçou que possui mecanismos para bloquear negociações de contas idênticas e que não encontrou evidências de lavagem de volume ou conluio.
O debate ganhou repercussão após o perfil pseudônimo “Beni” questionar publicamente a autenticidade dos dados na rede X. O responsável pela área de criptomoedas da corretora, “IcoBeast”, rebateu parte das alegações ao esclarecer que os gráficos citados referiam-se ao mercado de previsão, reafirmando o cumprimento das exigências regulatórias.








