
Manter suas senhas seguras é a regra básica do mercado, mas isso não impede que um erro de software drene seus fundos. Quando uma falha técnica acontece, a presença de um seguro de criptomoedas na plataforma escolhida raramente garante o reembolso total.
O caso da rede Liquid ilustra esse cenário de forma prática. Em 6 de setembro, quase 4.000 Bitcoins foram retirados das reservas da plataforma com aprovação do próprio sistema. As chaves privadas não foram roubadas, mas o software autorizou saques que deveriam ter sido bloqueados.
Uma análise feita pela TRM Labs mostrou que os invasores exploraram uma vulnerabilidade para criar tokens L-BTC, que representam Bitcoins na Liquid, sem depositar os ativos reais como garantia. Em seguida, eles conseguiram trocar esses tokens sem lastro por Bitcoins verdadeiros.
Quando o sistema apresenta esse tipo de erro, a primeira dúvida dos usuários é sobre quem pagará a conta. Embora diversas empresas anunciem a existência de um seguro de criptomoedas, as apólices geralmente cobrem apenas uma fração dos ativos armazenados ou possuem restrições complexas de pagamento.
A Coinbase, por exemplo, detalha em seus documentos públicos que sua apólice contra crimes protege apenas uma “parcela” dos ativos digitais em caso de invasões. A corretora também avisa de forma transparente que as perdas totais podem superar os valores recuperados, deixando os clientes com parte do prejuízo.
Os limites do seguro de criptomoedas para usuários
Diferente do sistema bancário tradicional dos Estados Unidos, onde instituições como o FDIC protegem depósitos em moeda fiduciária, não existe uma rede de proteção equivalente para ativos digitais.
No incidente específico da Liquid, dados levantados pela Bitquery apontaram que os invasores devolveram cerca de 3.400 Bitcoins logo no dia 7 de setembro. Dias depois, em 12 de setembro, um relatório da CryptoSlate indicou que a Blockstream rejeitou pagar uma recompensa exigida pelos invasores.
Mesmo com a devolução parcial de ativos, a responsabilidade por cobrir os fundos que continuam desaparecidos depende inteiramente da capacidade financeira da empresa. Os contratos de reembolso também podem fixar valores em dólares em vez de devolver a quantidade original de moedas.
Se um cliente perdeu um Bitcoin avaliado em US$ 80 mil e o contrato prevê reembolso fiduciário, ele receberá exatamente esse valor nominal no futuro, mesmo que a criptomoeda passe a valer US$ 100 mil.
A segurança técnica da rede reduz a chance de uma invasão bem-sucedida, mas é a estrutura de um seguro de criptomoedas que define como o prejuízo será dividido. Compreender os limites dessa cobertura financeira é um passo fundamental antes de confiar grandes volumes de capital a terceiros.








