
A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, mudou sua perspectiva sobre o que atrai os grandes investidores institucionais para seu ETF de Bitcoin. Inicialmente, a empresa acreditava que a principal busca era por segurança e custódia profissional.
No entanto, a realidade mostrou um cenário mais complexo. Jay Jacobs, executivo da gestora, explicou recentemente que o verdadeiro motor por trás da adoção institucional é a ‘financeirização‘.
Os grandes investidores querem usar a criptomoeda da mesma forma que utilizam ativos tradicionais. Isso significa transformar o Bitcoin em uma ferramenta que pode ser usada como garantia de empréstimos, operações de opções e integração em sistemas de gestão de portfólios.
Desde o lançamento do iShares Bitcoin Trust (IBIT) em janeiro de 2024, grandes detentores começaram a converter suas criptomoedas diretamente em cotas do fundo. Até o final de 2025, mais de US$ 3 bilhões fluíram para o produto exclusivamente por esse mecanismo.
Para facilitar a entrada de capital, a gestora reduziu o limite mínimo de criação e resgate em espécie para cerca de US$ 1,5 milhão. O ETF de Bitcoin da BlackRock resolve questões práticas de infraestrutura, pois as cotas se encaixam perfeitamente nas contas de corretagem existentes.
Como o ETF de Bitcoin da BlackRock reduziu a volatilidade do mercado
Esse processo de financeirização gerou impactos diretos na estabilidade do ativo digital. A volatilidade anual do Bitcoin caiu da faixa histórica de 80 para níveis entre 35 e 40. Jacobs atribui esse resfriamento ao aprofundamento do mercado de fundos e opções.
Expandindo essa estratégia, a empresa lançou em junho de 2026 o iShares Bitcoin Premium Income ETF (BITA). O novo fundo utiliza uma estratégia de opções cobertas projetada para gerar rendimentos anuais entre 15% e 25% com a venda de prêmios.
Com dezenas de bilhões sob gestão, o ETF de Bitcoin se tornou uma linha de receita importante para a BlackRock. Consultores financeiros tradicionais demonstram cada vez mais conforto em recomendar o fundo para diversificar as carteiras de seus clientes.
Os US$ 3 bilhões em conversões institucionais também afetam a dinâmica de oferta global, retirando criptomoedas do mercado livre nas corretoras. O foco agora é quem consegue tornar o Bitcoin mais útil dentro dos portfólios existentes, forçando a concorrência a adaptar suas ferramentas financeiras.








