Uma nova pesquisa do BeInCrypto, intitulada “The Exodus Economy”, revelou que as stablecoins criaram um corredor financeiro de US$ 31,5 bilhões na América Latina, anualizados em 2026. Profissionais e empresas da região utilizam cada vez mais plataformas de dólares digitais para receber e movimentar rendimentos fora do sistema bancário tradicional.
Os dados mostram que o dinheiro não fica parado nas contas. Mais de 99% do volume de stablecoins sacado de carteiras vinculadas a corretoras se move novamente em um período de até 30 dias. O valor médio de cada saque é de US$ 544, destinado frequentemente a pagamentos de clientes, fornecedores e receitas de exportação.
A análise da rede Tron, focada em usuários da corretora Bitso em março de 2026, comprova essa dinâmica rápida de transferências. Cerca de 89% dos endereços funcionam apenas como carteiras de repasse, movendo quase todo o saldo em um mês, enquanto apenas 6% dos usuários atuam como poupadores de longo prazo.
O que impulsiona as stablecoins na América Latina?
Muitos trabalhadores latino-americanos recebem salários de empregadores estrangeiros em dólar, mas precisam pagar suas despesas diárias na moeda local. Assim, eles convertem para pesos ou reais apenas a quantia necessária para o momento, mantendo o restante protegido em criptomoedas atreladas ao dólar, como USDT e USDC.
As motivações de uso variam conforme as realidades econômicas de cada país. Na Argentina, o acesso ao dólar digital protege a renda contra a forte desvalorização cambial, enquanto no Brasil a ferramenta facilita gastos globais e novos investimentos. Já no México, essas redes operam em paralelo ao mercado de remessas internacionais.
Apesar da alta velocidade nas transações, o tempo de retenção do dinheiro nas carteiras está aumentando. O indicador da pesquisa que mede os dias necessários para que metade de um saldo sacado seja movimentado novamente subiu de 4,7 dias em março de 2025 para 10,9 dias em março de 2026.
As informações de blockchain reforçam que as stablecoins consolidaram seu papel na economia real na América Latina. Os dólares digitais funcionam ativamente como base para atividades financeiras cotidianas e transfronteiriças, provando utilidade imediata para freelancers e empresas locais.


