Hard fork da Cardano: rede ativa versão 11 em atualização histórica guiada pela comunidade

Hard fork da Cardano: rede ativa versão 11 em atualização histórica guiada pela comunidade

A rede Cardano ativou oficialmente a versão 11 do seu protocolo no último sábado, 18 de julho, marcando a conclusão bem-sucedida do hard fork. Batizada de Van Rossem, a atualização levou o ecossistema da época 643 para a época 644, após ter sido ratificada em 13 de julho.

O evento representa um marco decisivo para a blockchain: pela primeira vez, uma mudança estrutural não foi orquestrada de forma centralizada pela empresa criadora, a Input Output. Todo o processo de proposta, debate e votação ocorreu de ponta a ponta por meio do sistema de governança onchain dos próprios detentores do token ADA.

A aprovação do hard fork da Cardano exigiu o aval de três instâncias de governança da rede. Os representantes delegados (DReps) aprovaram a mudança com 78,97% dos votos, superando a exigência mínima de 60%. O Comitê Constitucional também deu parecer favorável em consenso, com todos os sete membros confirmando a conformidade do projeto com a Constituição do protocolo.

Como o hard fork da Cardano impacta os desenvolvedores e usuários

Já os operadores de pools de validação aprovaram a transição com a margem mais estreita entre os grupos, registrando 53,02% de apoio. Além disso, a rede exigia que 85% do stake ativo estivesse executando o software compatível antes da ratificação, meta que foi superada com 93% dos blocos produzidos já atualizados no momento da transição.

Do ponto de vista técnico, o hard fork da Cardano é um intra-era, o que significa que permanece dentro da atual fase de governança da rede e não altera a estrutura das transações existentes. Ela unifica recursos da plataforma Plutus para linguagens de contratos inteligentes e estabelece regras de validação mais rígidas, como a proibição de duplicação de chaves criptográficas entre pools.

Para quem apenas guarda ou transfere ADA no dia a dia, nada muda de forma imediata: carteiras digitais não precisam de atualização e as taxas de envio direto continuam as mesmas. Contudo, os aprimoramentos na infraestrutura do Plutus permitirão reduzir os custos de execução de contratos inteligentes à medida que os desenvolvedores atualizarem suas aplicações DeFi e marketplaces de NFTs.

Além da otimização de custos, o hard fork da Cardano estabelece as bases técnicas para a futura era Dijkstra e para a introdução do protocolo Ouroboros Leios. Essa nova solução de dimensionamento, prevista para o final de 2026, tem como objetivo elevar drasticamente a capacidade de processamento de transações por segundo da rede sem comprometer a segurança.

O nome da atualização homenageia Max van Rossem, colaborador da governança da Cardano que auxiliou na redação da Constituição do protocolo e falaceu em outubro de 2025. Com a transição concluída, os detentores do token ADA passam a exercer controle direto sobre a evolução técnica do ecossistema.