O XRP Ledger ativou um recurso que permite a empresas delegar tarefas a outras contas sem entregar as chaves que controlam seus ativos. A novidade pode facilitar operações de bancos, emissores de stablecoins e negócios com fundos tokenizados, ao separar as permissões de cada função.

A atualização, chamada PermissionDelegationV1_1, entrou em vigor na quinta-feira, 8 de outubro, segundo o XRPL Dashboard. Com ela, uma conta pode autorizar outra a executar ações específicas, mantendo o controle principal sob sua própria custódia.

A mudança busca resolver um desafio operacional: empresas que movimentam criptomoedas com frequência precisam manter mecanismos de assinatura disponíveis, mas deixar chaves com amplos poderes em dispositivos conectados à internet aumenta os danos potenciais de um ataque.

A delegação permite restringir essa exposição. Em vez de compartilhar o controle geral de uma conta, a empresa pode conceder permissões específicas a outra conta, que utiliza suas próprias chaves para executar apenas as tarefas autorizadas. O titular original também pode alterar ou revogar essas permissões.

Como funciona a delegação no XRP Ledger

Um emissor de stablecoins, por exemplo, pode permitir que uma conta dedicada à conformidade aprove novos clientes sem colocar as chaves principais em circulação. A lógica é semelhante à divisão de responsabilidades que bancos já adotam entre equipes de pagamentos e de compliance, mas com as permissões aplicadas diretamente na blockchain.

Cada conta autorizada pode receber até 10 permissões. Essas restrições determinam quais operações ela pode executar, mas não estabelecem automaticamente um limite para o valor movimentado.

A ativação dependeu do processo de governança da rede. Atualizações desse tipo precisam de apoio superior a 80% dos validadores confiáveis durante duas semanas consecutivas. Considerando a lista atual de 35 validadores, são necessários pelo menos 29 votos favoráveis.

Em setembro, a contagem para a aprovação do recurso precisou ser reiniciada depois que o apoio caiu abaixo do patamar exigido, segundo relato anterior do CoinDesk.

A atualização chega em um momento em que o XRP Ledger também registra atividade com ativos tokenizados e stablecoins. No segundo trimestre, a rede mantinha uma média de US$ 3,72 bilhões em ativos tokenizados e US$ 539 milhões na stablecoin RLUSD, da Ripple. Os valores somavam aproximadamente US$ 4,26 bilhões, de acordo com um relatório da Evernorth compartilhado com o CoinDesk.

XRP Ledger ainda tem uma restrição importante

Apesar da ativação, uma permissão específica continua sob recomendação de uso restrito. A orientação oficial da rede é que usuários não deleguem a função PaymentBurn até que uma correção separada seja ativada.

A ferramenta foi projetada para permitir que uma conta autorizada destrua tokens. No entanto, em determinadas condições, essa mesma permissão também pode permitir a criação de novos tokens. O alerta se refere a ativos emitidos no XRP Ledger, não à emissão de novos XRP.

As demais permissões granulares não são afetadas por esse problema. Na sexta-feira, 9 de outubro, a correção para a função PaymentBurn contava com 27 votos favoráveis entre os 35 validadores. Ainda precisava chegar a 29 para iniciar o período de duas semanas necessário à aprovação.

Outro ponto em análise envolve a contagem de votos dos validadores. Um relatório registrado em 8 de outubro identificou que alguns servidores podem deixar de contabilizar um validador depois que ele altera uma chave de segurança usada em operações rotineiras, mesmo que continue online e votando.

Nessa situação, um servidor que deixasse de reconhecer dois validadores poderia calcular o apoio com base em 33 participantes, em vez dos 35 existentes. Isso faria uma proposta parecer mais próxima da aprovação naquele servidor do que realmente está.

Uma correção proposta prevê identificar cada validador por um identificador permanente, reduzindo o risco de falhas de contagem após mudanças nas chaves. A proposta, porém, ainda estava em análise.

A delegação amplia os controles operacionais disponíveis no XRP Ledger ao permitir que empresas distribuam tarefas sem compartilhar o comando integral de suas contas. Para instituições que administram stablecoins e ativos tokenizados, o benefício está em limitar o alcance de cada autorização. A adoção mais ampla, no entanto, também depende da resolução das restrições identificadas e do funcionamento correto dos mecanismos de governança da rede.

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Luíza Nunes
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